"UMA IDEIA TORNA-SE UMA FORÇA MATERIAL QUANDO GANHA AS MASSAS ORGANIZADAS".
Karl Marx
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
NOTÍCIAS E FATOS
* Várias pessoas se queixam da repetição de notícias que ocorrem em todos os veículos de comunicação da cidade, inclusive nos blogs, que teoricamente, teriam mais agilidade na propagação de novidades. De fato, é uma situação que não agrada, mas fazer o que se nossos governantes não conseguem produzir e nem gerar fatos novos, principalmente aqueles de natureza positiva para a nossa população. Reproduzir más notícias e fatos negativos eles fazem com rara competência. Os veículos de comunicação apenas reproduzem a realidade.
* A Insegurança Pública reinante na cidade faz ocorrer repetições de roubos, furtos e assassinatos. As providências e ações das autoridades para reduzir o quadro são praticamente nenhuma. Não falo aqui só do aparato de repressão policial, mas de medidas emancipatórias de políticas públicas para a juventude pobre da periferia, principal vítima das prisões e mortes. Segue em curso na cidade apenas a guerra contra a pobreza, e o pior, estamos perdendo dos dois lados.
* Toda hora ocorre casos de reclamações da população com relação a precariedade dos serviços públicos, principalmente, na saúde(a grande campeã de queixas), educação, habitação, transporte e geração de empregos. Isso não acontece apenas agora nesta terrível gestão do "novo" velho governo Alair, mas vem se arrastando há praticamente 20 anos na cidade. Os governantes são os mesmos e continuam sendo votados por grande parte da população. Alguns devem gostar mesmo de sofrer nas mãos dos mesmos embusteiros de sempre e seus respectivos aliados. Sadomasoquismo político !!
* Nada muda também com relação a ação dos nossos vereadores, eleitos para representar a população, exercer um importante papel fiscalizador da gestão pública e da forma como é investido o dinheiro público oriundo dos impostos do povo. Ao assumirem os mandatos viram "vereadores do prefeito", gozando de benesses, privilégios e cargos no executivo, largando inteiramente o papel constitucional que trata da independência entre os poderes legislativo e executivo. Há 20 anos a Câmara de Vereadores de Cabo Frio é um "apêndice" do governo municipal. A subalternidade é inquestionável. Alguns assumem isso sem a menor vergonha na cara, contando com o desconhecimento e a falta de percepção de grande parte dos eleitores.
* Se a maior parte da população age da mesma forma com relação as eleições, sem considerar interesses coletivos, votando com "seu umbigo", não valorizando o ato de votar e transformar, logicamente, nada mudará. A mudança sempre começa dentro de cada um de nós.
Será que um dia ela virá ?
Alguns torcem para que venha, mas muitos lutam pela manutenção da mediocridade, da corrupção e da manutenção desta ordem vigente que beneficia poucos em detrimento de muitos.
Só a luta muda a vida !!
* O papo pós eleição comentado por vários analistas, curiosos, cientistas políticos, observadores, população em geral, é que estamos vivendo uma onda conservadora e que ela contradiz os protestos e movimentos ocorridos em junho do ano passado. Reconheço que de fato, a eleição está mostrando isso, tanto nos cargos executivos quanto nos legislativos estaduais e federais. A população elegeu ou reconduziu a cargos públicos políticos conservadores, vários fichas sujas e uma grande parte com posicionamento político bastante reacionário e intolerante com direitos de minorias.
* O que não concordo é que esta situação tenha a ver com as manifestações de junho de 2013. As manifestações tiveram um caráter próprio e indefinido. Até hoje ninguém conseguiu explicar com clareza a natureza do movimento. Difuso, contemplando um número enorme de reivindicações, pautas e insatisfações, com pessoas de direita, esquerda, centro, anarquistas, militantes de partidos políticos e também de movimentos sociais, bandidos misturados, enfim, uma "geléia geral" de difícil análise, que confundiu vários cientistas políticos bastantes experientes. Foi rápido, pontual e não teve continuidade por falta exatamente de consistência sociopolítica.
* Este "debaclê" eleitoral que estamos vivenciando no momento tem a ver com o próprio povo. Tem relação com a forma que o brasileiro faz a leitura política do país. É um sua maioria um povo conservador, teme as mudanças mais radicais. Foi "ensinado e aculturado" a ser assim, condicionado pelo processo midiático e também pelo processo educacional, que logicamente, reflete os valores e conceitos de uma elite dirigente que não quer que nada mude para que seus privilégios continuem intactos. O resultado é o reflexo de nossa democracia de massa, uma das maiores do mundo, que é acrítica e despolitizada, dominada fortemente pelo determinismo do poder econômico das forças políticas dominantes e que tolera os desmandos e a corrupção. Para uma grande parte da população este tema é secundário numa campanha eleitoral.
* É reflexo de um eleitor que não tem consciência de classe e nunca foi orientado pelo "Sistema" a ter. A maioria, trabalhadores simples com baixos salários e direitos sociais reduzidos, que votam num empresário rico na ilusão de que este vai representar seus interesses nas esferas legislativas e executivas. Não é a toa que a maioria do parlamento e os ocupantes de cargos executivos não são de iguais, de trabalhadores, pelo contrário, estas esferas de poder estão amplamente dominadas por estes empresários e latifundiários que tem interesses próprios e diversos dos anseios da classe trabalhadora que os elege. É isso que provoca esta profunda desilusão do eleitor com a política e distorce inteiramente a nossa representação política.
* A maior parte da população vota em "nomes" e tem profunda dificuldade em diferenciar projetos políticos de partidos. Aliás, os partidos contribuem para isso, visto que a maioria dos partidos pequenos se transformaram em negócios e legendas de aluguel, sem qualquer ideologia ou projeto de país definido. Os grandes partidos "enfiados até o pescoço" nesta governabilidade viciada não conseguem propor uma nova pauta política afinada com os interesses coletivos e populares. A exceção são os partidos de esquerda, PSOL, PCB, PSTU e PCO, que possuem definição ideológica, mas não se entendem no sentido de formarem um frente, reforçando assim suas demandas, diminuindo suas dificuldades em dialogar com as massas.
* Qual a solução e a fórmula adequada para produzir avanços neste quadro ?
Sinceramente, não sei. Está em aberto. É preciso prosseguir na luta acreditando que durante o processo vamos encontrar soluções, que certamente só serão efetivas, transformadoras e duradouras se tiverem maciça participação popular.
Luta que segue !!
* O grande humorista paulista, José Simão, lançou recente um livro cujo título é "Esculhambação Geral da República". Lembrei do livro ao ler este post do professor universitário Alexandre Araújo Costa, onde de forma séria e bem humorada ao mesmo tempo, ele analisa o segundo turno da eleição presidencial entre Dilma e Aécio, sob o ponto de vista político e ideológico. Na sua análise ele mostra como é difícil para a "grande massa" entender direito o tipo de debate travado entre ambos. É uma "salada geral", deixando claro as semelhanças de projeto de ambos para o país. Leia com atenção e reflita depois:
"2º turno no Brasil é Esquerda X Direita, né?
- Isso
- Belo Monte, polícia unificada, Kátia Abreu. Essa direita é osso, não?
- Não... Essa não é a direita...
- Não entendi...
- Essa aí é a esquerda.
- Ué? E a direita?
- É tudo isso mais redução da maioridade penal e trabalho escravo
- Putz!
- E o Congresso?
- Maioria da base da candidata da esquerda
- Bom! Congresso com maioria de esquerda!
- Não! A maioria é de direita...
- Pera. Maioria do Congresso é de direita mas apoia a candidata da esquerda? Por que são contra o candidato da direita?
- Eles não são...
- Como é?
- Se o candidato da direita ganhar, eles serão situação.
- E se a candidata da esquerda ganhar?
- Também.
- Então se o candidato da direita ganhar eles apoiarão projetos de direita?
- Sim, certamente
- E se a candidata da esquerda ganhar?
- Como assim?
- Nesse caso, a maioria de direita vai apoiar projetos de esquerda?
- Não, ora!
- Mas não apoiam o governo da esquerda?
- Apoiam!
- Ahn? E quando o governo de esquerda apresenta seus projetos?
- A maioria dos projetos do governo de esquerda é de direita e a direita no Congresso apoia.
- O governo de esquerda apresenta projetos de direita?
- É. Esses, a direita no Congresso apoia. A direita no Congresso só não apoia os projetos de esquerda, que o governo de esquerda quase não apresenta.
- Então deixa eu ver se entendi... nas eleições, é a esquerda, que no governo apresenta projetos de direita, com base de direita que rejeita tudo de esquerda no Congresso, disputando com a direita?
- Mais ou menos isso
- E como seria um governo de direita?
- Governo de direita, com projetos de direita e base de direita, ora!
- Então a maneira de barrar um governo de direita, com projetos de direita e base de direita é apoiar um governo de esquerda, mas sem projetos de esquerda porque a base parlamentar é de direita e só apoia projetos de direita, mas que o governo de esquerda deixa passar?
- É, afinal precisamos dessa base de direita, que apesar de barrar qualquer iniciativa de esquerda, sustenta o governo de esquerda e não deixa o País cair nas mãos da direita!
- Perguntar não ofende.... vocês já tentaram um governo de esquerda com base de apoio de esquerda e projetos de esquerda?"
* Agora me diga, é ou não é a "Esculhambação Geral da Eleição" ?
* O tema da Dívida Pública e das Reformas Previdenciárias tem sido recorrente no nosso blog. Notem que é uma assunto muito pouco debatido fora ou dentro das eleições. Neste segundo turno, Dilma e Aécio vão fugir do assunto como "o Diabo foge da Cruz". Não podem interferir com os "gordos ganhos" do sistema financeiro nacional e transnacional com o escorchante pagamento de juros, que consome metade do Orçamento do país. Até porque são eles junto com as empreiteiras, os principais doadores de suas campanhas. Coincidência, não !!
Lembre- se, quem paga a banda toca a música que quiser !!
* Procuro sempre colocar informações sobre o tema da dívida e da previdência social, suas relações e dependências, visando que se perceba o tamanho desta "bomba" que é o maior gargalo ao desenvolvimento do país. É impressionante a pontualidade com o pagamento de juros e amortizações de nossa dívida pública e o adiamento e a falta de compromisso com a nossa "dívida social". Os bancos foram "bastante cevados" nos governos do PT e PSDB. Apenas a candidata do PSOL, Luciana Genro, apresentou propostas para equacionar este descalabro, propondo uma auditoria nestas contas, fato este, que tem natureza legal e está previsto na constituição.
* É preciso ter vontade política, independência e coragem para enfrentar os poderosos interesses do grande capital que de forma direta são contrários aos interesse da classe trabalhadora, que por falta de investimento adequado, fica privada das políticas públicas essenciais nas áreas da saúde, educação, transporte, habitação popular e segurança pública, principalmente. É preciso para de aceitar apenas as "migalhas". Você não verá este importante assunto nos programas eleitorais e nem nos debates. Os jornalistas envolvidos também não farão perguntas sobre este tema. O Estado Brasileiro tem dono - os banqueiros - e tanto Dilma quanto Aécio os servem muito bem. Com qualquer resultado eles já ganharam a eleição. Os perdedores somos todos nós !!
* A carga tributária vem aumentando no país desde o Governo Collor, passando por FHC, Lula e Dilma, conforme mostra o gráfico acima. Por falta de vontade política e para não contrariar os interesses do grande capital, nenhum deles se propõe a realizar uma Reforma Tributária que mude o caráter regressivo da carga tributária, baseada principalmente no consumo, que faz com que os mais pobres sejam proporcionalmente mais taxados. O País pede uma reforma que estabeleça um caráter progressivo, taxando quem tem mais renda, particularmente, as grandes fortunas e tributando com mais rigor o sistema financeiro que goza de imensos privilégios tributários. É um disparate !!
* Todo ano é um "jogo de empurra" entre o executivo e o legislativo para que nada mude. O que é arrecadado não tem um gasto público qualificado, pois o país compromete a metade do seu Orçamento para pagar juros e amortizações desta imoral dívida pública, que este ano, apesar de tudo isso, vai passar de 2,8 trilhões de reais.
* O que sobra para investimentos em infraestrutura e políticas públicas essenciais, principalmente, saúde e educação, não atende as demandas da população. Esta história todo mundo conhece, mas está passando da hora de mudar.
A Reforma Tributária não está na pauta do PT de Dilma e nem do PSDB de Aécio. Eles se limitam a propor "remendos" que não atacam o problema e suas consequências, que é como dissemos acima o seu caráter regressivo e implacável com os mais pobres.
Lembre-se, novamente, que os bancos são os seus principais doadores de campanha. Manda quem pode e obedece quem é covarde contra o povo brasileiro !!
* Mais tarde um pouco de humor e poesia, caso contrário, ninguém aguenta !!
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
CAMPANHA CICLOVIAS JÁ !!
CONTINUIDADE DA CAMPANHA INSTITUCIONAL PELA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA REDE INTEGRADA DE CICLOVIAS PARA CABO FRIO.
COMO O ATUAL PREFEITO ALAIR CORREA GOSTA DE OBRAS FARAÔNICAS, ASFALTO E CONCRETO, QUE TAL UMA OBRA DESSA QUE VAI TRAZER BENEFÍCIOS PARA A CIDADE, REDUZIR A DEPENDÊNCIA DE CARROS E ÔNIBUS, HUMANIZAR O NOSSO JÁ CAÓTICO TRÂNSITO NO CENTRO E TORNÁ-LA AMBIENTALMENTE MAIS SUSTENTÁVEL. SE VOCÊ APOIA, PARTICIPE!!
ESTAREMOS POSTANDO NOTÍCIAS, IDEIAS E AÇÕES REALIZADAS EM OUTRAS CIDADES DO BRASIL E DO MUNDO QUE MOSTRAM A IMPORTÂNCIA E A RELEVÂNCIA DE UM PROJETO COMO ESSE. PORTANTO, VAMOS NESSA, CICLOVIAS JÁ!!
Carta Compromisso com a Mobilidade Ciclística.
Os ciclistas brasileiros dirigem-se aos candidatos e candidatas a Presidência da República nas eleições brasileiras de 2014 para apresentar propostas de inclusão da mobilidade ciclística nas políticas publicas.
As propostas estão apresentadas sob a forma de “Carta Compromisso com a Mobilidade Ciclística“, buscando a assinatura de todos os candidatos. Além disso, os candidatos também poderão responder a uma entrevista.
A Carta foi elaborada pelo GT Eleições da UCB, em amplo debate com seus associados.
A Carta também pode ser apoiada por entidades representativas da sociedade civil e da iniciativa privada, bem como por candidatos ao poder legislativo e por todos os cidadãos interessados.
TEXTO DA CARTA COMPROMISSO
Tendo em consideração que:
a) Atualmente os subsídios públicos concedidos para a mobilidade motorizada individual são muito superiores a aqueles concedidos para o transporte coletivo e para a mobilidade não-motorizada;
b) Com o crescimento da frota de automóveis, proporcionalmente aumentam a poluição atmosférica, a apropriação privada do espaço público, o tempo perdido em congestionamentos, as fatalidades de trânsito e os gastos com saúde pública, provocando a diminuição da qualidade de vida da maioria dos cidadãos;
c) A bicicleta, o caminhar e o transporte coletivo são os meios de mobilidade urbana mais socialmente justos, contribuindo para a saúde pública, a preservação ambiental, a autonomia de deslocamento e o orçamento familiar;
d) A falta de planejamento e de infraestrutura adequadas reprimem o uso da bicicleta como meio de transporte;
e) É dever do poder público garantir a prioridade, com segurança, praticidade e conforto, de pedestres e ciclistas.
Assumo, com os cidadãos brasileiros, caso seja eleito para o cargo de presidente do Brasil, o compromisso de trabalhar para cumprir as seguintes propostas, as quais constarão no meu Programa de Governo:
1) Conceder de fato prioridade, nas políticas públicas relativas à mobilidade urbana, aos modos não-motorizados, ao transporte coletivo e à integração entre eles, desta forma favorecendo a humanização do espaço público e a democratização do acesso à cidade;
2) Reduzir, com metas e ações definidas, o alto número de mortos e feridos no trânsito, dedicando especial atenção aos mais frágeis;
3) Criar um sistema de pesquisa, monitoramento e avaliação das políticas públicas, da infraestrutura cicloviária e da participação da bicicleta nos deslocamentos, assim como incluir a bicicleta no censo e nas pesquisas domiciliares do IBGE, de modo a subsidiar a elaboração de planejamento para o setor;
4) Criar rubrica específica no Orçamento Geral da União, por meio do Plano Plurianual, para custeio e investimentos em mobilidade ciclística, bem como linhas de financiamento aos municípios brasileiros para infraestrutura cicloviária, em montante crescente a cada ano;
5) Criar programa visando a desoneração tributária da cadeia produtiva da bicicleta, suas partes e peças, bem como desenvolver uma política industrial para o setor em todo o território nacional;
6) Estabelecer metas claras de aumento da participação da bicicleta na mobilidade urbana e rural, envolvendo todos os setores da administração pública federal, bem como aplicar a bicicleta nas políticas públicas sociais tais como de trabalho, geração de renda, erradicação da pobreza, defesa civil, educação, saúde e moradia;
7) Inserir infraestrutura cicloviária nas vias laterais construídas junto às rodovias federais nas revisões e nos futuros contratos com concessionárias;
8) Elaborar manual técnico com caráter normativo para subsidiar a implantação de estrutura cicloviária adequada pela união, estados e municípios;
9) Criar um Programa Nacional de Formação para técnicos e gestores públicos visando a qualificação das políticas de desenvolvimento ciclístico e dos projetos cicloviários;
10) Criar um Plano Nacional de Incentivo ao Cicloturismo como forma de aumentar o conhecimento e a proteção do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e natural;
11) Instalar bicicletários adequados em todos os prédios públicos federais, de todas as cidades brasileiras, quando houver espaço disponível, suprimindo, se necessário, vagas de estacionamento de automóveis;
12) Normatizar a bicicleta como item de bagagem pessoal para fins de transporte rodoviário, ferroviário, aéreo e aquaviário em território nacional;
13) Elaborar programa educativo continuado visando a criação de uma cultura de priorização dos modos ativos de deslocamento e a humanização do trânsito;
14) Criar e ampliar espaços e condições de participação da sociedade civil na formulação de políticas governamentais e em órgãos colegiados atinentes à mobilidade e ao transporte.
UCB – União dos Ciclistas do Brasil.
RAPIDINHAS.............
* Novamente Alair, Marquinhos, Jânio e Paulo Cesar estão juntos na campanha de Pezão. Novamente a desculpa é a mesma. "União pelo bem de Cabo Frio". Bem de Cabo Frio com estas figuras e Pezão, me poupem !!
* Com relação a esta "falsa polarização" entre Alair e Marquinhos só se engana quem quer. Um tem o "rabo preso" com o outro. Um não pode acusar o outro de nada. Um sabe muito da sujeira do outro. Disputam um triste e sombrio "campeonato de processos" que parece não ter fim. Se por acaso perceberem que podem ser derrotados mais a frente, se unirão de novo com aquela velha e batida frase: "É tudo para o bem de Cabo Frio".
Alguém ainda acredita neste papo !!
* Vou dar um exemplo claro desta cumplicidade entre ambos para refrescar a memória dos esquecidos:
Quando Alair assumiu em janeiro do ano passado, declarou publicamente que fecharia a SECAF por desvios de dinheiro público e outras irregularidades insanáveis, provocadas pela gestão anterior de Marquinhos. Alguém lembra ?
De fato, fechou a autarquia e fundou outra, a CONSERCAF, que funciona nos mesmos moldes da extinta SECAF. Sem nenhuma transparência !
* Perguntas: Fez alguma ação civil pública para punir e indiciar quem desviou dinheiro público? Disse quanto foi desviado dos cofres públicos ?
Claro que não. Se acertaram para um não denunciar o outro. Se fossem adversários de verdade, não tinha perdão !
Eles "tiram onda" com a população com esta "briguinha de enganação". Querem fazer as pessoas de idiotas.
De novo: Sé se engana quem quer ou tem interesse em recolher as migalhas que caem da mesa farta de ambos !!!
* As eleições e estas alianças estapafúrdias não podem nos fazer esquecer que a cidade vive um péssimo momento na administração pública. Tem pouca coisa funcionando de forma adequada nas áreas importantes e essenciais, principalmente, saúde, educação, transporte, habitação, segurança pública e geração de empregos.
* A derrota dos candidatos da base alairzista e a vitória de Janio e Marquinhos nada representam em termos de eleição municipal. Existe uma outra lógica que mede os interesses envolvidos. O candidato a reeleição é Alair, no momento, o dono da máquina pública, que sabe usá-la como poucos, infelizmente. Novas composições serão feitas e o eleitor, cuja maioria é totalmente despolitizada, segue a lógica do momento.
* Muitos mudarão de lado. Traições ocorrerão como sempre. O poder econômico vai mandar muito. O jogo está aberto e vai começar tudo de novo.
Uma certeza. Estaremos lá de novo, enfrentando "eles" com a mesma coerência de antes, apontando para a população este enorme embuste eleitoral.
* O voto nulo nunca é a melhor alternativa, principalmente na eleição de deputados, pois sempre tem gente séria a ser votada, basta ter vontade de se informar e pesquisar. Isto ocorre também no primeiro turno das eleições majoritárias. Entretanto, se nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno te contempla e atende suas perspectivas e você por mais que queira escolher um e não encontra as razões, o voto nulo é legítimo. Não significa omissão. Você já fez a sua opção no primeiro turno e foi derrotado.
* Mal acabou a eleição e uma briga se estabelece na ALERJ. Jorge Picciani e Domigos Brazão, ambos do PMDB, vão disputar a presidência da Casa. Picciani até já ligou pedindo votos aos cinco deputados do PSOL. Tomou um sonoro NÃO !!
Quem será que pode nos livrar desta tragédia ?
* Lindbergh Farias queria declarar apoio a Crivella no segundo turno, mas foi impedido pela direção nacional do PT, que vai apoiar Pezão. Lindinho obedeceu direitinho !!
* O PSB declarou apoio institucional a candidatura de Aécio Neves, mas o partido rachou e vários militantes e políticos do partido vão apoiar Dilma. Nada mais normal diante do quadro de fragilidade partidária que vivemos hoje.
* O PDT também rachou em nível nacional. Uma parte está com Dilma e outra com Aécio. Querem ganhar dos dois lados.
Salve-se quem puder !!
* Saiu as primeiras pesquisas de intenção de voto no segundo turno da eleição presidencial e o resultado do Ibope e do DataFolha são idênticos: Na intenção de voto, Aécio tem 46% e Dilma, 44%. Com relação aos votos válidos, Aécio tem 51% e Dilma, 49%. Estão rigorosamente empatados dentro da margem de erro. Está cedo para aprofundar análises. A eleição no segundo turno apenas começou.
* Frase de Myrian Rios(PSD) ao não ser reeleita deputada estadual: "Meu objetivo não era pedir votos, mas evangelizar."
Alguém precisar explicar para ela o conceito de laicidade do Estado. Política e religião quando se misturam levam ao retrocesso e ao atraso. A política requer atitudes coletivas, religião é fruto de uma atitude individual.
* Mas grande parte da população não pensa assim e permite que sua "cabeça" seja feita por pastores inescrupulosos. Vejam os exemplos:
O pastor Valdomiro Santiago elegeu seus dois representantes: Milton Rangel, deputado estadual e Francisco Floriano, deputado federal.
O pastor RR Soares também elegeu seus dois filhos: Felipe Soares, deputado estadual e Marcos Soares, deputado federal.
* E por aí vai. Um terço da ALERJ nesta eleição será formada por pastores evangélicos. Fé e política é uma mistura perigosa para a sociedade. A história já nos mostrou isso várias vezes.
* Empolgado com sua votação para a Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro(PP-RJ) disse que será candidato a presidente em 2018.
Pára o Brasil que eu quero descer !!
* Começaram a vazar dados dos depoimentos a Polícia Federal e ao MPF dos "picaretas" Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras e do doleiro dos políticos, Alberto Youssef. Tem vários envolvidos: diretores de empreiteiras, vários diretores de outras áreas da Petrobras, O PT, PMDB e o PP, vários políticos e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
Todos negam. Novidade !!
* Mas muita gente não está dormindo bem com isso. Os advogados criminalistas de Brasília estão em polvorosa, até porque vão ganhar uma bela grana dos denunciados. Pena que este dinheiro que vai pagar os honorários é nosso !!
* Com o fracasso do time do Vasco nas últimas temporadas, Roberto Dinamite não se reelegeu. Teve pouco mais de 9.000 votos. Vamos ver se agora ele cuida do clube no final do seu mandato de presidente, caso contrário,vai também perder as eleições no clube no final do ano.
* Frase para fechar as rapidinhas de hoje:
"Teremos neste ano as eleições mais caras da história com investimentos milionários de grupos de interesse de vários setores da economia. Neste cenário, esperar que o próximo governo, seja Dilma ou Aécio, tenha independência para fazer as mudanças em favor da maioria do povo é uma ingênua ilusão."
Guilherme Boulos
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
ELES VENCERAM OUTRA VEZ
Independente de quem sair vencedor das urnas no próximo domingo –ou num segundo turno em 26 de outubro– a vitória já tem dono. Ou melhor, donos. Os mesmos de sempre.
JBS Friboi, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Bradesco, Odebrecht, OAS, Itaú, Camargo Correia e afins.
Levantamento da revista "Congresso em Foco" a partir de dados do TSE mostrou que a eleição deste ano é a mais cara da história do país. A estimativa de gastos das candidaturas em todos os níveis supera R$71 bilhões.
São tantos zeros que pode até confundir. O valor corresponde a mais de duas vezes o que foi gasto na Copa do Mundo. Ou a seis anos de pagamento do Bolsa Família. Ou ainda a mais de 1 milhão de moradias pelo programa Minha Casa Minha Vida.
E estamos falando apenas da previsão de gastos oficiais e contabilizados. Não inclui o bom e velho caixa dois, cujo papel nas campanhas eleitorais brasileiras é de conhecimento até mesmo da velhinha de Taubaté.
Em nosso sistema político, que consagra o financiamento privado de campanha, quem financia estes valores bilionários são as grandes empresas. O destaque cabe sempre às empreiteiras, construtoras e incorporadoras. O setor da construção sempre foi muito generoso com os partidos e candidatos.
Na parcial do primeiro mês de campanha neste ano, dos dez maiores financiadores, cinco são empreiteiras. São também as maiores financiadoras dos partidos, mesmo fora dos anos eleitorais. De 2010 a 2013 foram transferidos R$374 milhões das empreiteiras ao caixa dos partidos políticos.
É um investimento com retorno seguro. Tanto do ponto de vista econômico quanto político. Se o fiel doador, com seu dízimo, garante o paraíso no céu, o doador de campanhas eleitorais garante o paraíso na Terra, aqui e agora.
Para medir a rentabilidade do investimento, o exemplo da JBS Friboi é emblemático. Atualmente é a líder da lista de doadores, com R$52 milhões investidos só no primeiro mês da campanha. R$52 milhões parece muito dinheiro. Mas não é nada perto dos R$2,1 bilhões que a Friboi recebeu de empréstimos do BNDES até 2013, menos ainda perto dos R$8,5 bilhões injetados em papéis da empresa por esse mesmo banco público.
O retorno das grandes empreiteiras através de contratos com o poder público ou com empresas estatais é também estrondoso. Neste caso, ainda que no âmbito municipal de São Paulo, vale a pena consultar o estudo disponível na página reporterbrasil.org.br/gentrificacao/a-bancada-empreiteira/, que relaciona o financiamento de campanha das empreiteiras com a execução de obras públicas.
O ganho político das empresas financiadoras também não fica atrás e perpetua a captura do Estado brasileiro pelos interesses privados. Financiar candidatos ao Executivo significa acesso e influência nas decisões de governo. Financiar candidatos ao Legislativo significa formar bancadas de interesse que facilitarão a aprovação de leis que estimulem seus negócios e inviabilizarão outras que os atrapalhem.
O tão falado conservadorismo do Congresso não é tanto de ordem ideológica. Aliás ideologia ou projeto político é algo que passa longe da maioria dos parlamentares brasileiros. O conservadorismo expressa mais que tudo a defesa dos interesses de quem sempre comandou o país e paga as campanhas.
As reformas populares não estão bloqueadas há décadas na sociedade brasileira por acaso. Alguém acha que a bancada ruralista permitirá uma reforma agrária? Ou que o lobby dos bancos no Congresso e nos governos dará sinal verde para a reforma do sistema financeiro? Ou ainda que o setor imobiliário e as empreiteiras permitirão que os governos que eles financiaram faça reforma urbana?
O financiamento de campanha eleitoral é um poderoso instrumento de poder. Quem paga a banda escolhe a música, diz o velho dito. E assim é. Para não acharem que é papo de comunista, cito o juiz eleitoral Marlon Reis: "Chegamos ao grau da insustentabilidade. As eleições são um jogo comprado no Brasil".
Teremos neste ano as eleições mais caras da história, com investimentos milionários de grupos de interesse de vários setores da economia. Neste cenário, esperar que o próximo governo, seja Dilma, Marina ou Aécio, tenha independência para fazer as mudanças em favor da maioria do povo é de uma ingênua ilusão.
Ilusão produzida sob medida pelo marketing eleitoral, que por sua vez, é pago com o dinheiro daqueles que continuarão dando o tom na política brasileira.
Guilherme Boulos é formado em filosofia pela USP.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
NOTÍCIAS E FATOS - ELEIÇÕES 2014
* Segundo turno definido para a eleição presidencial.
Na reta final, Aécio Neves conseguiu uma arrancada previsível, principalmente devido a grande estrutura partidária do PSDB, aliada as inúmeras inconsistências e vacilações de Marina Silva e ficou a perigosos 8% de Dilma Roussef. Apesar do favoritismo de Dilma, a eleição está indefinida. Agora com o mesmo tempo de televisão, Aécio pode oferecer risco a manutenção do poder pelo PT. O segundo turno costuma ser outra eleição. Há uma nova composição de forças políticas e os debates passam a ser confrontos diretos entre os candidatos.
* Aécio é melhor debatedor do que Dilma, que fica excessivamente nervosa e trabalha de forma muito mecânica e engessada com seus dados estatísticos passados pela assessoria. Dilma precisa mudar agora a sua tática e partir para o ataque. Argumentos para emparedar Aécio e o PSDB não lhe faltam. Por outro lado, há também grandes vulnerabilidades e contradições no governo do PT para serem exploradas pelo tucano. Vai haver um grande "duelo de marketing" nos próximos programas de televisão.
* Os eleitores de Marina são difusos e diversos. Tem progressistas, fundamentalistas, conservadores e a ecocapitalista, apesar dos 20 milhões de votos, não tem o poder imediato desta transferência se declarar seu apoio a alguém. A sinalização é de apoio a candidatura de Aécio, até pela grande mágoa acumulada com o PT, e particularmente com Dilma, pelos ataques bem orquestrados que a desconstruiram como alternativa da tal "nova política". Mas esta hipótese ainda não pode ser confirmada. Grande parte dos eleitores dos partidos de esquerda deve anular seu voto. Outros devem votar em Dilma. Não são números tão significativos, a não ser que a eleição vá para um limite de vitória por pequeníssima margem. Os eleitores de Eduardo Jorge, Pastor Everaldo, Eymael e Fidelix devem se alinhar com Aécio.
* Que o trabalhador não se iluda. Ambos não farão nenhuma reforma estrutural no país. Não vão debater a reforma política, fiscal e tributária. Reforma agrária, nem pensar, senão o Agronegócio vai "ficar de mal" com eles. Estão "amarrados até os dentes" com os donos do Estado Brasileiro: Os bancos nacionais e transnacionais. Vão fazer as alianças fisiológicas de sempre para o 2º turno com loteamento de cargos no governo, sob o argumento da tal "governabilidade" viciada.
* Ambos vão promover ajustes macroenonômicos assim que acabar as eleições, que logicamente, serão os de interesse do grande capital, sob o argumento que é para controle da inflação. Está prevista uma forte retenção nos gastos públicos que certamente será maior com Aécio. Esta previsto um realinhamento dos preços e tarifas públicas que ambos negam que vão fazer, mas farão. Não vão ceder as pressões das centrais sindicais pelo fim do fator previdenciário, pelo reajuste das aposentadorias de mais de um salário mínimo e suas respectivas recomposições e nem pela adoção da redução da jornada de trabalho. Vão continuar com a DRU, o superávit primário e a falácia do déficit da previdência. Não vão fazer nenhuma auditoria na Dívida Pública, conforme determina a Constituição e vão continuar comprometendo metade do Orçamento Geral da União com o pagamento de juros e amortizações, privilegiando a dívida financeira em detrimento da "dívida social".
* Homofobia, aborto, regulamentação das drogas, desmilitarização das polícias, guerra aos pobres, ampliação de direitos, além de outros vão sumir do debate político no segundo turno.
* Durante os debates e programas de televisão vão fugir destes temas como o "diabo foge da cruz". A grande mídia também não vai trazer estes temas a baila. Não interessa a eles qualquer mudança no modelo econômico.
Tá difícil definir o voto !!
* No segundo turno do Estado do Rio de Janeiro teremos outra parada dura. Pezão X Crivella.
Incrível como depois de tudo de ruim que aconteceu neste Estado com o desgoverno Cabral, seu candidato ainda lidere a pesquisa de intenção de votos e apareça como favorito no 2º turno. Mas como disse acima, apesar do favoritismo de Pezão, é outra eleição. Crivella terá os mesmos 10 minutos de seu oponente e já avisou que vai desconstruir a imagem de "bom cidadão" e "político preocupado com os pobres" construídas com competência pelos marqueteiros de Pezão e que foi uma das causas do seu sucesso no primeiro turno. A outra foi esconder Cabral da campanha, apesar do uso colossal do "rolo compressor" da máquina do PMDB. Crivella disse que vai fazer a população lembrar de tudo isso com o seu programa de televisão e com os debates.
* Crivella deve herdar a grande maioria dos votos de Garotinho e Lindbergh. Apesar de evangélico e intimamente ligado a Igreja Universal pode ter também votos entre os eleitores da esquerda fluminense que não engolem Pezão/Cabral de jeito nenhum. Crivella sempre foi moderado nas questões polêmicas que são caras para a esquerda: estado laico, homofobia, movimento LGBT e outros temas afins. Crivella, ao contrário de Pezão, não tem processos e nem telhado de vidro para Pezão rebater.
* Crivella também é melhor debatedor, mais articulado e certamente vai partir para o ataque no confronto direto.
Entretanto, Pezão terá grande força nas ruas com a grande bancada que elegeu para a ALERJ fazendo campanha para ele. A maioria são velhos caciques políticos em seus redutos e vão fazer força para manter prestígio político e fisiológico com o governador.
* Aqui também está difícil, mas.................
* O candidato do PSOL ao governo do Estado, Tarcísio Motta, fez belíssima campanha, superou as pesquisas e alcançou praticamente 9% dos votos. Sem aceitar dinheiro das grandes empreiteiras fez uma campanha modesta que encantou a militância do partido e foi além do PSOL. Deixou claro que seu compromisso era apenas com a população. Teve presença marcante e "arrebentou" nos debates, marcando a diferença de seu discurso e propostas para os demais. Arrasou Pezão e Garotinho nos debates, principalmente no da Globo. Foi o terceiro candidato mais votado na capital, Rio de Janeiro, ficando a frente de Garotinho e Lindbergh. Em Niterói, ficou em segundo, sendo superado apenas por Pezão. Se fosse um candidato mais conhecido e com mais penetração no interior do Estado seu resultado certamente seria melhor.
Luta que segue, companheiro Tarcísio !!
* Tarcísio teve o melhor desempenho de um candidato a governador na história do PSOL e se torna um grande nome para as eleições municipais no Rio de Janeiro em 2016. Foi um grande orgulho estar a seu lado e participar desta inesquecível campanha.
Só a luta muda a vida !!
* Candidaturas locais.
Aconteceu o que já era esperado. Com a fragmentação das candidaturas da base alairzista ninguém se elegeu ou conseguiu votação consistente. Isto é claro, agradou muito ao "chefe", pois não foi criada nenhuma "sombra" as suas pretensões de reeleição para 2016. Com relação a pseudo-oposição janista/marquinista também nenhuma novidade. Aproveitando a grande rejeição nas ruas do atual "novo" velho governo Alair, Jânio conseguiu sua reeleição, embora de forma apertada e Marcos Mendes se posicionou como 1º suplente de sua coligação, mas certamente será deputado federal, tendo em vista a "puxada" de alguns eleitos para o secretariado de Pezão, se ele vencer, ou a ida praticamente certa do deputado eleito Pedro Paulo(PMDB) para coordenar a secretária especial das Olimpíadas no governo Eduardo Paes. Depois de um governo horroroso, recheado de denúncias de corrupção, Marcos Mendes através de uma campanha milionária conseguiu atingir pouco mais de 45 mil votos. Aquiles Barreto também conseguiu uma boa votação, pouco mais de 12 mil votos, ligando sua campanha ao ex-prefeito Marquinhos. Grande parte da população gosta de sofrer e tem memória curta !!
* A corrupção virou uma questão secundária nesta campanha. Grande parte da população não se importa com isso, vota segundo seus interesses individuais e não coletivos, e muitos dizem abertamente que se estivessem lá roubariam também. Difícil mudar este quadro que tem explicação através de variáveis complexas que abordaremos mais adiante.
* Confira a relação dos deputados eleitos para a ALERJ e para a Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro.
FEDERAIS
Jair Bolsonaro (PP) – 464.572 votos
Clarissa Garotinho (PR) – 335.061 votos
Eduardo Cunha (PMDB) – 232.708 votos
Chico Alencar (PSOL) – 195.964 votos
Leonardo Picciani (PMDB) – 180.741 votos
Pedro Paulo (PMDB) – 162.403 votos
Jean Wyllys (PSOL) – 144.770 votos
Roberto Sales (PRB) – 124.087 votos
Marco Antônio Cabral (PMDB) – 119.584 votos
Otavio Leite (PSDB) – 106.398 votos
Felipe Bornier (PSD) – 105.517 votos
Sóstenes Cavalcante (PSD) – 104.697 votos
Washington Reis (PMDB) – 103.190 votos
Rosangela Gomes (PRB) – 101.686 votos
Júlio Lopes (PP) – 96.796 votos
Índio da Costa (PSD) – 91.523 votos
Alessandro Molon (PT) - 87.003 votos
Hugo Leal (PROS) – 85.449 votos
Glauber (PSB) – 82.236 votos
Cristiane Brasil (PTB) – 81.617 votos
Jandira Feghali (PCdoB) – 68.531 votos
Dr. João (PR) – 65.624 votos
Simão Sessim (PP) – 58.825 votos
Celso Pansera (PMDB) – 58.534 votos
Miro Teixeira (PROS) – 58.409 votos
Aureo (SD) – 58.117 votos
Sergio Zveuter (PSD) – 57.587 votos
Arolde de Oliveira (PSD) – 55.380 votos
Rodrigo Maia (DEM) – 53.167 votos
Chico D’Angelo (PT) – 52.809 votos
Cabo Daciolo (PSOL) – 49.831 votos
Luiz Sergio (PT) – 48.903 votos
Alexandre Serfiotis (PSD) – 48.879 votos
Deley (PTB) – 48.874 votos
Soraya Santos (PMDB) – 48.204 votos
Benedita da Silva (PT) – 48.163 votos
Paulo Feijó (PR) – 48.058 votos
Marcelo Matos (PDT) - 47370 votos
Fernando Jordão (PMDB) – 47.188 votos
Francisco Floriano (PR) – 47.157 votos
Marcos Soares (PR) - 44.440 votos
Altineu Cortes (PR) – 40.593 votos
Fabiano Horta (PT) 37.989 votos
Ezequiel Teixeira (SD) – 35.701 votos
Luiz Carlos Ramos do Chapeu (PSDC) – 33.221 votos
Alexandre Valle (PRP) – 26.526 votos
ESTADUAIS
PMDB (Vagas: 15)
Paulo Melo
Fabio Silva
Jorge Picciani
Osorio
Domingos Brazão
Gustavo Tutuca
Rafael Picciani
Edson Albertassi
Bernardo Rossi
Daniele Guerreiro
Waguinho
Pedro Augusto
André Lazaroni
Benedito Alves
Rosenverg Reis
PSD (Vagas: 8)
Wagner Montes
Samuel Malafaia
André Corrêa
Delegada Martha Rocha
Christino Áureo
Iranildo Campos
Jorge Felippe Neto
Milton Rangel
PR (Vagas: 7)
Nivaldo Mulim
Filipe Soares
Bruno Duaire
Marcia Jeovani
Rogerio Lisboa
Jair Bitencourt
Renato Cozzolino
PT (Vagas: 6)
Zeidan
Carlos Minc
Waldeck
Andre Ceciliano
Dr. Sadinoel
Zaqueu
Psol (Vagas: 5)
Marcelo Freixo
Paulo Ramos
Flávio Serafini
Eliomar Coelho
Dr. Julianelli
PP (Vagas: 4)
Flávio Bolsonaro
Dionísio Lins
Zito
Zé Luiz Anchite
PDT (Vagas: 3)
Cidinha Campos
Luiz Martins
Janio Mendes
Solidariedade (Vagas: 3)
Pedro Fernandes
Bebeto Tetra
Tio Carlos
PSDB (Vagas: 2)
Lucinha
Luiz Paulo
PPS (Vagas: 2)
José Luiz Nanci
Cotmte
PTB (Vagas: 2)
Marcus Vinicius – Neskau
Farid Abrão
PRB (Vagas: 2)
Tia Ju
Carlos Macedo
PSL (Vagas: 2)
Marcio Canella
Atila Nunes
PSC (Vaga: 1)
Márcio Pacheco
PTC (Vaga: 1)
Thiago Pampolha
PTN (Vaga: 1)
Dr. Deodalto
PRTB (Vaga: 1)
Graça Pereira
PCdoB (Vaga: 1)
Enfermeira Rejane
PHS (Vaga: 1)
Marcos Miller
PSB (Vaga: 1)
Wanderson Nogueira
PTdoB (Vaga: 1)
Marcos Abrahão
PSDC (Vaga: 1)
João Peixoto
* A bancada fluminense tanto na ALERJ quanto na Câmara Federal deu uma forte guinada a direita, ao conservadorismo e ao fundamentalismo evangélico. Um terço dos deputado estaduais eleitos são evangélicos, o que prova que a campanha está rolando solta de forma ilegal dentro das igrejas, ferindo de morte a laicidade do estado. A política precisa estar separada da religião. Política envolve interesses coletivos e religião é opção individual de cada um. Não quero dizer com isso que estou generalizando que todo evangélico é um mau parlamentar, mas os fatos dão conta que costumam ter posições conservadoras, impedir avanços sociais e se envolverem em desvios de dinheiro público, principalmente na esfera federal. Vamos conferir suas atuações na ALERJ para falar depois.
* A compensação disto tudo foi a vitória do deputado Marcelo Freixo(PSOL) como o estadual mais votado do Estado, causando raiva em vários setores reacionários. Freixo tem uma luta destacada pelos direitos humanos e pela fiscalização da transparência com o uso dos recursos públicos por parte do executivo na ALERJ.
* A grande votação de Jair Bolsonaro e família( mais 600 mil votos) é um marco importante desta guinada a direita e a intolerância com as minorias. Reflete também o eco do seu discurso para a matança de bandidos, que em sua maioria, são jovens moradores de comunidades, pobres, pretos e favelados. Ele não defende a morte de nenhum político corrupto, que com os desvios de dinheiro público que praticam matam milhões pela falta de políticas públicas, principalmente na Saúde. O corrupto-mor do Brasil, Paulo Maluf, pertence ao seu partido, o PP, que tem o "sugestivo" nome de Partido Progressista.
* Sobre este tema, deixo abaixo para reflexão de todos o post de Gilberto Calil que aborda com rara sensibilidade este fato:
"Um dia depois da eleição do Congresso mais conservador dos últimos 30 anos, tendo como campeões de votos notórios fascistas como Bolsonaro, Heinze e Feliciano, e eleitos para o senado figuras do naipe de Lasier Martins, Collor e Kátia Abreu, parece que nem o petismo nem a esquerda socialista demonstram muita capacidade de autocrítica.
O petismo, sobretudo, é inteiramente incapaz de explicar como depois de 12 anos no governo, alimentando o conservadorismo e a despolitização, temos um país claramente mais à direita. E torna-se patético ao tentar estabelecer uma associação esdrúxula entre o avanço da direita e as jornadas de junho. Os resultados de Dilma, PSDB e Marina são próximos aos do primeiro turno de 2010 (com oscilação inferior a 3%). No entanto, dentro da coalização governista o peso da direita cresceu nitidamente, com Kátia Abreu, Collor e montanhas de reacionários. Até a composição da bancada do próprio PT modifica-se, com a derrota de figuras pretensamente à esquerda e mais "históricas" e a eleição de neopetistas da laia do Andrés Sanchez. Como explicam então: estamos avançando há mais de uma década e estamos tão próximos das Trevas?
Mas também a esquerda parece impotente e incapaz de uma reflexão autocrítica que perceba a dimensão da derrota. Comemorar 1,55% dos votos e a eleição de 5 deputados federais (PSOL) ou "explicar" os resultados pífios em virtude da exclusão dos debates e da invisibilização midiática é muito, muito, muito pouco, é desconsiderar que esta é necessariamente a condição em que se dá a luta para a esquerda anticapitalista.O PSTU sequer aumentou os 0,09% de 2010 e o PCB, mesmo tendo feito uma campanha que me agradou bem mais do que em 2010, teve crescimento irrisório e ficou em inexpressivos 0,05%.
Ou os partidos e militantes que se reivindicam da esquerda socialista iniciam um processo de efetiva autocrítica, descartando as explicações de sempre que atribuem aos outros a culpa pelo fracasso, e dão início à construção de instrumentos mais permanentes de articulação e organização e retomamos as ruas urgentemente, ou com esta bancada eleita e um governo de Dilma ou Aécio, estamos fritos"!
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* Apesar do fracasso de quem defendia mudanças nas composições dos parlamentos estaduais e federais e também nos cargos executivos, a luta por mudanças precisa continuar. Novamente o país pedia mudanças, mas de forma incoerente a maioria da população votou nos mesmos. O tal "Gigante", na verdade nunca acordou, apenas levantou a sua cabeça, até porque ele não sabia direito o que queria. Nada muda se a mudança não começar dentro de cada um de nós. Vamos repetir uma série de "fichas sujas" ocupando cargos de governador e deputados e o quadro a frente continuará desolador.
* Estes mesmos que votaram nestes pilantras vão reclamar depois que na política só tem ladrão. Não adianta inventar. A representação política que temos representa a qualidade do voto e do eleitor que temos. As razões para isto acontecer são diversas, passam pela questão da falta de consciência cidadã, pela falta de uma educação de qualidade, passa também por uma cumplicidade com a corrupção que é histórica no país, também pelo caráter individualista do voto que tem caracterizado as últimas eleições e das necessidades primárias de sobrevivência de muitos que estão excluídos do mundo do trabalho e da riqueza gerada neste modelo de desenvolvimento neoliberal adotado no país, que causa profundas desigualdades sociais. Este é o pragmatismo do voto. Já dia Brecht no século passado: "A fome vem antes da ética".
Temos no fundo que olhar tudo isso com um misto de compreensão e preocupação.
Aquele velho dito popular tem prevalecido: "Farinha pouca, meu pirão primeiro". Isso fere de morte a coletividade.
* O mais engraçado de tudo isso são os "capitalistas sem capital" que fazem a defesa do modelo econômico esquecendo que também fazem parte da massa explorada, que com raras exceções, vendem sua "força de trabalho" ao custo de baixos salários. Criticam sem o menor fundamento qualquer proposta que pense numa nova forma de organizar a sociedade. Criam rótulos que aprenderam na Veja, na Globo e outros vetores de informações de massa que distorcem conceitos de forma proposital para que nada mude e altere os imensos privilégios da elite dirigente do país. Os trabalhadores são a maioria deste país, são os que mais pagam impostos e menos recebem em contrapartida deste Estado dominado pela lógica da financeirização da economia O lucro está acima da vida. Educação, Saúde e outras políticas públicas essenciais são tratadas como mercadorias.
Não há vitória sem luta e nem transformações sociais sem consciência de classe !!
* Mais tarde um artigo polêmico sobre as eleições !
domingo, 5 de outubro de 2014
HOJE É 05 DE OUTUBRO. CHEGOU A HORA !!
Hoje, 05 de outubro, 143 milhões de brasileiros estarão se dirigindo as urnas para eleger seus representantes nas várias esferas de poder. Após 3 meses de campanha, onde se mentiu muito, onde a verdade foi escondida e escamoteada, onde se comprou muita gente com dinheiro arrecadado de empresas corruptas e de origem duvidosa, onde o famoso caixa 2 foi operado de forma escandalosa, onde vários ilícitos eleitorais foram praticados, onde as pesquisas buscam influenciar os incautos ao voto útil, onde candidatos foram fabricados por marqueteiros profissionais, onde o jogo eleitoral foi mais democrático para alguns do que para outros, chegou a hora da decisão.
Que tipo de país queremos construir para hoje e para o futuro ?
Que tipo de mudança queremos que ocorra no quadro político ?
Estas duas perguntas devem nortear o complexo processo de decisão do voto. Não se constrói nada de novo repetindo velhas práticas. A mudança precisa ocorrer primeiro dentro de cada um de nós. O nosso modelo de representação política espelha o sentimento e as atitudes que temos diante da urna eletrônica. Os eleitos não chegam ao poder de para-quedas. São votados e escolhidos livremente por todos nós. Logo, a qualidade desta representação reflete a nossa qualidade na hora do voto.
Votar em fichas sujas, em quem já teve várias oportunidades e não provou competência e compromisso com as causas populares, votar em quem representa velhos caciques da política, em quem não tem compromisso com o trabalhador, votar em quem lidera a pesquisa para “não perder o voto”, não vai construir nada de novo para o país, nem hoje e nem para o futuro. Não vai produzir nenhuma mudança estrutural no quadro político. Apenas vai fazer aumentar as velhas queixas de que o ambiente político é desolador e ocupado por oportunistas e ladrões do dinheiro público. A responsabilidade de mudar este quadro é nossa. É intransferível e urgente.
Renove suas opções. Não há outro caminho para a mudança. Temos mais uma chance de não permitir que a história que aconteceu várias vezes como tragédia, volte a se repetir como farsa. Repetir o voto nas “velhas raposas do passado” devido as suas maiores aparições na mídia e pelo poder econômico de suas campanhas, vai nos fazer ficar parado ou experimentar de novo o retrocesso.
Caminhe para as urnas pensando na mudança, em novos nomes independentes destes velhos esquemas e desta velha forma de fazer política. Você, sua família, seus filhos e netos certamente serão influenciados por sua decisão, pois tudo na vida depende das decisões políticas que são tomadas nos palácios executivos e casas legislativas. Sua vida presente e seu futuro dependem deste acerto. Você é responsável pelos políticos que escolhe. Pense nisso para não reclamar e não se lamentar depois.
Lembre-se neste momento do poeta e escritor Eduardo Galeano: “A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la”.
E como sabemos que a realidade política atual é sofrível, só nos resta mudá-la promovendo uma ampla renovação dos quadros políticos. É possível, factível e necessária.
É agora ou nunca !!
Claudio Leitão é economista, graduando em história e membro da executiva municipal do PSOL Cabo Frio.
sábado, 4 de outubro de 2014
RAPIDINHAS............
* O tema corrupção tem polarizado os debates, tanto para presidência quanto para governador, logo, seria importante o atual prefeito de Cabo Frio, Alair Correa, esclarecer algumas denúncias que fez no início do seu mandato, mas que depois determinou aos "colaboradores" que mantivessem o bico calado. Por que será?
* Para refrescar a memória: Fechou a SECAF alegando que o roubo e os desvios de dinheiro público feitos pelo governo anterior do ex-prefeito Marcos Mendes eram insanáveis. Não auditou, não divulgou os valores e nem identificou os ladrões. Ação Civil Pública para recuperar o dinheiro desviado, nem pensar. Se limitou a fundar outra autarquia, a CONSERCAF, e segue mantendo as mesmas práticas sem nenhuma transparência.
* Para refrescar novamente: Declarou que encontrou inúmeros casos de irregularidades e desvios de verba pública nas licitações na área da Saúde. Não auditou, não divulgou os valores e nem identificou os ladrões. Ação Civil Pública, nem cogitou. A Saúde segue um caos sem nenhuma mudança estrutural.
* Tem gente que ainda acha que "eles" são adversários. O que "eles" tem é o "Rabo Preso" um com o outro. Se os dois falarem e se acusarem vão ser presos e algemados. São produtos da mesma "farinha política" que desgoverna Cabo Frio há quase 20 anos !!
* Os alunos, professores e apoiadores do CM Rui Barbosa fizeram ontem uma passeata com concentração em frente a prefeitura para deixar claro que não concordam com o encerramento das matrículas para o ensino médio no município. Apesar do recuo estratégico do prefeito inimigo da educação, Alair Correa, é preciso atenção e manter a mobilização. Ele já provou inúmeras vezes que não cumpre a palavra, tal qual o seu pupilo, o ex-companheiro Marcos Mendes.
Toda nossa força ao movimento !
Só a luta muda a vida !!
* Ainda sobre corrupção, o ex-senador brasiliense Luiz Estevão, ex-PMDB ( não poderia ser diferente), roubou em valores atualizados, 1 bilhão de reais junto com o juiz Lalau, no escândalo de desvios da obra do TRE paulista, e pasmem, foi condenado a cumprir pena no regime semi aberto. O Juiz Lalau, que também roubou perto disso, cumpre prisão domiciliar. A justiça brasileira é uma piada. É elitista, segregacionista e só manda para cadeia os ladrões de galinha !!
* Slogan de Dilma na reta final de campanha: "Governo Novo, Ideias Novas".
Você já viu governo novo de 12 anos ?
Por que as ideias novas não foram implementadas antes ?
Negócio estranho este. Acho que estão de sacanagem com a gente !!
* Nesta última quinta a Globo realizou o último debate entre os presidenciáveis. E novamente não houve grande destaque individual. Apesar de mais dinâmico que os anteriores, não agradou a maioria do público, segundo reverberou as redes sociais.
Dilma (PT), novamente demonstrando nervosismo e cheia de dados estatísticos preparados por sua equipe, foi o grande alvo dos outros candidatos. Não respondeu a várias perguntas, tergiversando e apresentando dados do seu governo fora do contexto das questões colocadas, como numa ocasião em que Luciana Genro(PSOL) perguntou se se comprometeria com a criação do Imposto sobre grandes fortunas e uma maior taxação aos bancos e ela fugiu do debate direto citando tais dados. Não há compromisso em confrontar os interesses dos rentistas e dos banqueiros.
* Aécio(PSDB), desta vez estava mais sólido no debate, mas continua sem convencer com seu discurso de mudança e combate a corrupção, tendo em vista o pífio desempenho do governo FHC e as denúncias de corrupção do mensalão mineiro, das mamatas das privatizações e do recente episódio do aeroporto em terras de parentes. Marina(PSB-REDE) desta vez deixou clara toda a sua superficialidade, com análises rasas dos problemas brasileiros, usando palavras bonitas, mas sem nenhuma correlação lógica com as causas e consequências do que abordava. Teve um desempenho muito ruim e pode cair ainda mais nas pesquisas.
* Luciana Genro(PSOL) fechou bem novamente o debate em sua fala final, mas falta "timing" e giro rápido de raciocínio para aproveitar melhor os questionamentos e as respostas falhas que recebeu de Aécio, Dilma e Levi Fidelix. É lutadora e tem se posicionado bem na defesa da mulher, do movimento LGBT e na defesa da ampliação de direitos para a população como reclamado nos grandes movimentos de junho do ano passado.
* Eduardo Jorge(PV)teve boa participação, mas segue muito preso a questão ambiental que é importantíssima, mas a eleição presidencial pede mais, principalmente, a pauta econômica, que praticamente não aborda. Pastor Everaldo(PSC) e Levi Fidelix(PRTB) são duas "aberrações políticas". Despreparados e com o discurso atrasado do preconceito e do fundamentalismo. O Pastor fala de "estado mínimo" sem a menor noção do que isso significa. São sofríveis e extremamente limitados.
* Enfim, apesar da maior audiência da Globo em relação as demais emissoras, não creio que o debate produzirá alterações significativas no quadro eleitoral, que caminha neste momento para um provável segundo turno, com Dilma enfrentando Marina ou Aécio. Tenho certeza que Dilma torce por Aécio.
* Não faça voto útil no primeiro turno. Este é o momento de votar no candidato da sua convicção, embora você possa perceber que ele não ganhará. Este voto é importante para que você reforce sua luta futura. No segundo turno é admissível o voto útil, naquele que você entende que é o que pode atender parcialmente suas expectativas. Se nenhum deles atender é legítimo neste momento você anular o seu voto, mas faça o máximo possível para que isto não aconteça.
* Cerca de 48% dos eleitores do Estado do Rio de Janeiro ainda não sabem em quem votar para deputado. Este voto é importante. Tem que ser pensado e elaborado. É o seu representante nas casas legislativas estadual e federal. O deputado tem que te representar e não te substituir, por isso cuidado, trabalhador não pode votar em empresário rico e achar que ele vai defender depois seus interesses de classe. Muito cuidado também com as campanhas milionárias financiadas por empresas corruptas e dinheiro público desviado. Este voto é erro na certa !
Portanto, OLHO NO VOTO !!
* Frase para fechar as rapidinhas de hoje:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."
Eduardo Galeano
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
POESIA NUMA HORA DESSA !!
Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht
* Em época de eleição este poema de Brecht se torna cada vez mais atual e importante de ser analisado por todos nós.
Portanto, não acredite que a realidade é imutável. Ela muda se você quiser e tiver coragem e ousadia no voto. A mudança precisa começar dentro de cada um de nós !!
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
NOTÍCIAS E FATOS
* O prefeito de Cabo Frio, Alair Correa, deu ontem uma entrevista coletiva, ou melhor um "monólogo entrevista", onde disse com a maior "cara de pau" que não sabia da proposta da Secretaria de Educação de acabar com o ensino médio no município. Desautorizou seus comandados e recuou estrategicamente desta proposta. Alguém acredita nisso ?
* É impressionante como nenhum jornalista questione o prefeito de uma forma mais contundente sobre as inúmeras contradições do atual governo numa entrevista coletiva, principalmente as promessas não cumpridas. As perguntas são do tipo "lugar comum" ou "bola quicando" para o prefeito "bater um bolão entre amigos".
* Depois da pressão da sociedade e da comunidade escolar, quer sair desta história sórdida como o "salvador da pátria". Uma pantomina. Depois do grande desgaste desta medida, característico de quem "não gosta da educação", tendo em vista que mandou para a Câmara de Vereadores um orçamento reduzido para a educação em 2014, tenta recuperar a imagem do governo. Antes, num mandato anterior, reduziu o orçamento da educação de 35% para 25%, mudando a Lei Orgânica do município. Sempre com o apoio da Câmara que historicamente se torna subalterna ao velho esquema do fisiologismo em troca de cargos, empreiteiras e outras coisitas a mais.
* É bom que fique claro que o ex-prefeito Marcos Mendes, seu pupilo de outrora, tentou a mesma coisa no governo passado e foi também abatido deste projeto sombrio pela luta de pais, professores e alunos. Logo, é no mínimo engraçado e constrangedor que esta medida cause alguma indignação em quem apoia a dupla de neo-alidos, Marquinhos/Jânio. Como disse antes, o descaso com a educação nesta cidade é histórico e envolve de forma direta estes personagens nos últimos 18 anos.
* O debate entre os presidenciáveis realizado domingo, na Record, a exemplo do que aconteceu na Band e no SBT, foi frio e com apenas um lance de "emoção". A destilação de ódio, preconceito e inversão de valores do "candidato figura", Levi Fidelix, que atacou como poucas vezes vi na TV todo o movimento LGBTS do Brasil. Pode, inclusive, ser punido pelo TSE. O tempo é curto para respostas mais elaboradas sobre os temas propostos. Os candidatos, nenhum deles, tem aquele "timing" característico dos grandes debatedores, como Brizola, por exemplo. Tem que ter rapidez de raciocínio, objetividade, leveza em alguns casos e dureza em outros. Eles não encontram o ponto.
* Dilma(PT) é excessivamente técnica. Sua fala não empolga. Vai para o debate com uma pilha de papéis cheios de dados estatísticos preparados por sua assessoria, que a faz, as vezes, se enrolar com tantos números. Aécio(PSDB) com aquela conversa de renovação não convence ninguém. Marina(PSB-REDE), como sempre, fala muito, usa a retórica vazia que tem com palavras bonitas, mas com abordagens genéricas e pobres de conteúdo. O Pastor Everaldo(PSC), ícone de um conservadorismo cristão, fala apenas para um nicho do eleitorado. Não tem conhecimento e nem preparo para analisar as grandes questões nacionais. Eduardo Jorge(PV) é inteligente, mas fica com uma pauta muito restrita às questões ligadas ao meio ambiente. Luciana Genro(PSOL) tem fechado bem os debates com uma fala que aborda a ampliação dos direitos sociais, mas perde várias oportunidades de ser mais marcante e precisa nos questionamentos que sofre e que faz. Levi Fidelix(PRTB), depois de domingo e da sua "incrível" participação vai merecer um post mais elaborado abaixo.
* Os debates com os candidatos ao Governo do Estado do Rio tem sido melhores. Tarcísio Motta(PSOL) e Lindbergh Farias(PT) e Garotinho(PR) são bons debatedores. Pezão, escondendo Cabral, tem sido o alvo de todos. Tem se atrapalhado todo nas respostas, mas incrivelmente lidera as pesquisas graças ao "rolo compressor" da máquina governamental e a campanha milionária e enganadora que faz.
* A resposta dada nas redes sociais pelo Deputado Federal Jean Willys(PSOL-RJ) a fala do "inenarrável" Levi Fidelix foi sensacional e extremamente criativa. Confira abaixo:
"Sobre o debate da Record, eu gostaria agora de poder comentar apenas a performance de Luciana Genro; de dizer que tenho muito orgulho de ela ser a única candidata presidencial que tem a coragem de defender o casamento civil igualitário, a legalização do aborto, a taxação das grandes fortunas e outras propostas sobre as quais os demais candidatos têm medo de se posicionar (Luciana foi a primeira e única candidata presidencial a falar sobre transfobia em rede nacional e a defender meu projeto de lei de legalização e regulamentação da maconha!). Eu gostaria de me ater apenas a esse aspecto, mas não posso, não diante do discurso de ódio à população LGBT proferido por Levy Fidélix, motivado por uma mistura nauseante de estupidez, homofobia e demagogia vulgar!
Vou avaliar junto à assessoria jurídica se é possível representar contra o candidato na Justiça por sua ofensa a uma coletividade e por estimular a violência contra esta. Como pode um sujeito como esse (que também se referiu aos usuários recreativos de maconha como "esses drogados que não produzem nada") ser candidato presidencial?
Acho que Luciana ficou perplexa e os demais, ainda que constrangidos, silenciaram. Isso mais o riso da plateia mostram bem como esse tipo de violência contra LGBTs é socialmente aceito!
Levy, de tão estúpido, não se dá conta de que ele mesmo - sua existência - contraria sua tese de que "aparelho excretor não reproduz".
* Tá dito !!
* O debate de ontem na Rede Globo entre os candidatos ao governo do Estado do Rio foi bem melhor que o dos presidenciáveis. Mais dinâmico, com os candidatos mais focados e mais objetivos nas respostas. Os candidatos são melhores debatedores. Novamente o grande destaque foi o candidato do PSOL, Tarcísio Motta. Inteligente, espirituoso, preparado e articulado, consegue marcar sua posição de diferença frente aos "4 Cabrais". Deixou Pezão e Garotinho várias vezes de "saia justa". Uma das frases marcantes do Tarcísio: "Tenho o cabelo preso, mas não tenho o rabo preso", se dirigindo a Pezão.
*Pezão(PMDB), muito ruim de debate, foi o "saco de pancadas oficial" de todos. Líder nas pesquisas e bem assessorado pelos seus marqueteiros, não respondia as questões polêmicas e nem entrava em confronto direto com seus adversários. Se limitava a repetir uma série de dados estatísticos, ao estilo Dilma, para se safar de suas contradições, como por exemplo, quem financia sua campanha e porque escondeu o ex-governador Cabral no programa de TV.
* Lindbergh e Crivella fizeram uma "dobradinha combinada" para bater em Pezão. Crivella, ontem, deixou o estilo "bom moço" em casa e desceu a lenha no "Mão Grande", quer dizer, Pezão. Garotinho, experiente debatedor, também bateu bastante em Pezão, mas a "grande vidraça" que tem faz com que tome também as suas porradas de volta. Desta vez gostei do debate, que serviu sem dúvidas para clarear o posicionamento político de cada um. É incrível como Pezão com toda a sua fragilidade, sua falta de preparo e com a rejeição do governo Cabral consegue liderar as pesquisas.É um caso para enlouquecer cientista social.
* Só mesmo a "maquina do governo" e muita grana na massificação de sua campanha podem explicar !
* Uma abordagem sobre capitalismo e democracia para ser analisada e pensada neste mundo de "verdades prontas", onde as pessoas tem profunda dificuldade de compreender que outro modelo de sociedade precisa ser construído. O modelo ideal não sei, mas algo precisa ser feito para que possamos frear este processo descivilizatório do nosso cotidiano que insistimos em conviver e aceitar com estranha passividade.
Capitalismo e Democracia
“Interessa me deixar claro desde o começo que para mim, o capitalismo é em sua análise final incompatível com a democracia, se por “democracia” entendemos tal como o indica sua significação literal, o poder popular ou o governo do povo. Não existe um capitalismo governado pelo poder popular no qual o desejo das pessoas seja privilegiado aos dos imperativos do ganho e da acumulação e, no qual, os requisitos da maximização do benefício não ditem as condições mais básicas de vida. O capitalismo é estruturalmente antitético em relação à democracia, em princípio, pela razão histórica mais óbvia: não existiu nunca uma sociedade capitalista na qual não tenha sido
atribuído à riqueza um acesso privilegiado ao poder. Capitalismo e democracia são incompatíveis também, e principalmente, porque a existência do capitalismo depende da sujeição aos ditames da acumulação capitalista e às “leis” do mercado das condições de vida mais básicas e dos requisitos de reprodução social mais elementares, e esta é uma condição irredutível. Isso significa que o capitalismo necessariamente situa cada vez mais esferas da vida cotidiana fora do parâmetro no qual a democracia deve prestar conta de seus atos e assumir responsabilidades. Toda prática humana que possa ser convertida em mercadoria deixa de ser acessível ao poder democrático. Isso quer dizer que a democratização deve ir da mão da “desmercantilização”. Mas “desmercantilização” por definição significa e fim do capitalismo.”
Ellen Wood
Professora de Ciências Políticas da Universidade de York, Toronto – Canadá.
SOCIALISMO E COMUNISMO
* Para clarear conceitos e fugir das definições equivocadas, associadas à alguns regimes políticos de outros países, deturpadas de propósito pelas grandes mídias conservadoras que fazem confundir milhares de corações e mentes no Brasil a cerca do que representa, de fato, a filosofia marxista sobre socialismo e comunismo na leitura do filósofo francês Daniel Bensaid:
SOCIALISMO.
"Não se trata de buscar um modelo de alternativa ou de traçar os planos de uma sociedade ou cidade perfeitas. O futuro acontece enquanto se caminha, a partir das contradições reais da ordem existente. Mas qualquer projeto revolucionário tem a sua parte de sonho. É preciso sonhar para explorar o campo do possível.
O que implica trabalhar de outra forma, ter o tempo de se instruir e de se educar ao longo de toda uma vida, de escapar às especializações definitivas, de poder ser simultaneamente trabalhador e também poeta, pintor ou músico. Existe hoje, no mundo da “arte” profissional uma minoria que nem sempre tem alguma coisa a dizer, enquanto que uma grande maioria, que tem tanto a dar, nunca tem a oportunidade ou os meios de se exprimir. A redução do tempo de trabalho é a condição de uma metamorfose e de um de um desaparecimento da divisão social do trabalho, tanto na produção como entre os sexos.
Produzir para as necessidades da maioria e não para uma corrida cega aos lucros e aos privilégios. O que quer dizer trabalhar, morar e viver de outra forma. Uma tal perspectiva é inconcebível sem tocar na sacrossanta propriedade privada dos grandes meios de produção e de comunicação. Como é que se pode adaptar a produção às necessidades, controlar a longo prazo o meio ambiente, coordenar os esforços e libertar a pesquisa básica dos critérios imediatos de rentabilidade, critérios estes que deixam a concorrência e o mercado tomar as decisões a curto prazo, tudo isso à revelia dos cidadãos ? Como pretender garantir o direito à habitação sem colocar em questão a propriedade fundiária ?
O direito à existência deve prevalecer sobre o direito à propriedade. O que não implica uma estatização total dos grandes meios de produção e de troca, mas antes dar à coletividade os meios de escolher e de controlar o seu próprio futuro.
Promover uma democracia mais ampla. O destino da humanidade não pode ser decidido em um jogo de cartas.
A democracia mais ampla exige a disponibilidade de tempo de se informar sobre as grandes questões, o tempo de deliberar diretamente, e os meios de se pronunciar sem se depender exclusivamente da opinião dos especialistas.
A democracia mais ampla exige a disponibilidade de tempo de se informar sobre as grandes questões, o tempo de deliberar diretamente, e os meios de se pronunciar sem se depender exclusivamente da opinião dos especialistas.
Trata-se, portanto, de reabilitar a própria ideia da política e de estender a democracia para fora da esfera institucional, até à democracia da produção de bens e da cultura, generalizando a auto-gestão e o controle dos representantes pelos representados. O que supõe a livre confrontação pluralista de projetos e de programas, a plena soberania e a independência das organizações sindicais e associativas em relação aos partidos, a extensão de uma democracia não somente política, mas social e autogestionária.
Finalmente, desenvolver uma solidariedade internacional contra todos os espíritos estreitos e paroquiais. Pensar e agir como cidadãos do mundo, conforme a ambição inicial da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. O que implica em especial uma solidariedade de todos os dias em relação aos povos dos países dependentes e dominados que sofreram séculos de pilhagem e de dominação. Esta pilhagem toma hoje a forma da dívida. Permite aos credores imporem as suas condições e imposições, empurrando os países em vias de desenvolvimento para a via do subdesenvolvimento.
Trata-se somente de pistas que desenham os contornos de um futuro diferente e possível de ser vivido. O amanhã começa de fato nas lutas de hoje. Isso é também o socialismo que queremos : tornar indispensáveis o maior número possível de seres humanos."
COMUNISMO.
"O comunismo não é uma ideia pura, nem um modelo doutrinário de sociedade. Não é o nome de um regime estatal, nem o de um novo modo de produção. É o de um movimento que, de forma permanente, supera/suprime a ordem estabelecida. Mas é também o objetivo que, surgido deste movimento, o orienta e permite, contra políticas sem princípios, ações sem continuidade, improvisações diárias, determinar o que aproxima e o que afasta deste objetivo. Neste sentido, não é um conhecimento científico do objetivo e do caminho, mas sim uma hipótese estratégica reguladora. Nomeia, indissociavelmente, o sonho irredutível de um mundo diferente, de justiça, de igualdade e de solidariedade ; o movimento permanente que aponta para a derrocada da ordem existente na época do capitalismo ; e a hipótese que orienta este movimento na direção de uma mudança radical das relações de propriedade e de poder, a distância dos acomodamentos com um mal menor que seria o caminho mais curto para o pior."
* Mais tarde um pouco de Humor e Poesia !!
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