"UMA IDEIA TORNA-SE UMA FORÇA MATERIAL QUANDO GANHA AS MASSAS ORGANIZADAS".
Karl Marx
domingo, 20 de outubro de 2013
ELES NÃO SABEM O QUE ESTÃO FAZENDO.....
Em seu livro "Carnavais, Malandros e Heróis" (1979), o antropólogo Roberto da Matta faz uma análise sobre os alguns elementos e aspectos da cultura brasileira. Dentre esses encontra-se o "Você sabe com quem está falando?",uma aberração facilmente detectável na política local.
A violência implícita no "sabe com quem você está falando?" revela a tendência clientelista tradicional da prática política brasileira e ao mesmo tempo uma grande ignorância por parte da população dos objetivos dessa mesma prática Aqui na cidade de Cabo Frio podemos vislumbrar isso de uma forma muito rica, embora seja a pobreza (de espírito e material) que a alimente. Inebriados pelo poder político temporal, poder este erigido sobre as mais variadas formas de carências e necessidades, os "dignitários" ou aqueles que com eles flertam , se distanciam das atribuições dos seus cargos e tais quais os guardiões dos portões do inferno (com todo respeito à mitologia) empregam o seu farto tempo na defesa do poder pelo poder.
Pior do que enxergar tais aberrações é constatar o esforço indisfarçável de intelectuais em perpetuá-las. Esse quadro em particular nos remete aos chamados "súditos letrados", figuras historicamente localizadas entre os renascentistas e que se popularizaram também no Brasil Imperial. Eram escritores, cientistas ou artistas que para terem seus projetos pessoais executados se colocavam a serviço dos soberanos. Hoje, no alto do séc. XIX, onde as luzes do esclarecimento já se consolidaram, encontrar intelectuais que se colocam à disposição do "poder pelo poder" é lamentável. No entanto, facilmente justificável, não pelo desejo de defender qualquer bandeira ideológica, mas pela satisfação das suas necessidades pessoais. E voltando à Renascença, os fins justificariam os meios...
Na dinâmica política eleitoral não raro um homem com carisma associado à pessoas dispostas a financiar sua campanha chega ao poder. Para os financiadores pouco importa que ele possua ou não qualquer bagagem intelectual, ética ou moral. Muitos até afirmam que o homem é mau de qualquer maneira e isso apenas se potencializa quanto este alcança qualquer tipo de poder.Para os financiadores o que interessa é a manutenção das coisas com elas estão e por isso fabricam legisladores inócuos que ali estão apenas como lacaios dos seus interesses econômicos. E o preço do voto que custa apenas alguns reais para os financiadores é a ascensão de indivíduos que geralmente possuem algumas das seguintes características: complexo de inferioridade, necessidade irracional de acumular riquezas, truculência, intolerância e nenhuma formação política. Imagine todas essas características envernizadas pelo direito de exercer poder. Sabe o que se tem? O portador do "Sabe com quem está falando?". Uma aberração política. Geralmente um caso perdido que quando por infortúnio nos cruza o caminho fazendo ecoar o seu"sabe com quem está falando?" velado , nos resta apenas entoar baixinho, quase que como uma oração:" Ele não sabe o que está fazendo."
Rogério Carvalho é professor de História e presidente do PSOL Cabo Frio.
RAPIDINHAS...........................
* Este caso da morte do pintor Arilson Santiago, com suspeita de recusa de prestação de socorro, na UPA de Cabo Frio, precisa ser investigado com profundidade pela polícia. Os depoimentos dos familiares são muito contundentes e revelam o antigo descaso com a população na área da saúde.
* As autoridades municipais continuam devendo um posicionamento claro a respeito da devastação e crime ambiental que ocorre nas Dunas do Peró. Existe ou não um embargo as obras do tal loteamento? As perguntas da sociedade não podem ficar sem respostas. Toda força ao movimento que quer impedir esta aberração ecológica!!!!!!!
* Entre na página do face "Vamos salvar as Dunas do Peró da especulação imobiliária" e participe desta campanha em favor do patrimônio natural de Cabo Frio!!
* Por falar em luta, segue o movimento dos defensores dos animais em favor dos cães usados como cobaias para "pesquisas cosméticas" pelo Laboratório Royal. Um grupo de empresas brasileiras do ramo divulgou uma nota na mídia que não usam animais em suas experiências, desmoralizando os argumentos da Royal.
* A frase dita ontem pelo pelo delegado da Polícia Federal, diretor de Combate ao Crime Organizado, sobre o financiamento privado de campanhas políticas reflete o que dissemos ontem no nosso "Notícias e Fatos", veja abaixo:
"Cinquenta por cento das operações da Polícia Federal contra corrupção têm como pano de fundo financiamento de campanha. Quando você investiga um caso de corrupção, desvio de dinheiro público, vai ver lá na frente que tinha um viés para financiar campanha política."
* É urgente acabar com o financiamento privado e instituir o financiamento público de campanha, não para acabar de vez com os casos de corrupção, mas para reduzi-la e tornar o processo eleitoral mais democrático, sob regras mais duras e fiscalizadoras.
Infelizmente, os grandes partidos que são os grandes beneficiários deste modelo, não querem mudar nada, protelando a reforma política e eleitoral no Congresso.
* É impressionante observarmos a "metamorfose" do PT ao longo dos últimos 15 anos. Os marqueteiros do partido estudam "colar" um mote na candidatura de Marina Silva(PSB-Rede) que pode ser o seguinte: "Com Marina o país vai parar". Exatamente, o que acontecia contra o PT vindo das forças conservadoras quando Lula já começava a crescer politicamente. Tenho dito: PT, PSDB e PMDB tudo a ver!!!!!!!!!!
* A Fifa espera lucrar 4,5 bilhões de dólares com a Copa do Mundo no Brasil. Eles vem aqui cheios de imposição, aprovam uma certa "Lei Geral da Copa", com a subalternidade do governo brasileiro, leia-se, executivo, legislativo e judiciário, e depois ainda vão sair daqui com toda esta grana.
* E tem mais, ainda exigem que o Estado reprima de forma truculenta todas as manifestações que possam ocorrer durante o evento. Certamente teremos grandes manifestações contra a realização da Copa e o "pau vai cantar na casa de Noca"!!
* Por falar em Copa, foi emocionante a classificação da Bosnia Herzegovina para a sua primeira participação no mundial, ao vencer a Lituania por 1x0 no seu último jogo das eliminatórias. Fracionada da antiga Iugoslávia, a Bósnia sofreu muito com a guerra nos Balcãs pelo massacre de sua população pelos sérvios. As comemorações nas ruas e praças "lavou" profundas marcas psicológicas oriundas deste tempo sombrio.
* Participar de um evento que envolva participação popular, neste caso especificamente dos estudantes, mesmo que seja organizado por setores políticos não alinhados com sua ideologia, não significa adesismo ou mudança de posição. Por isso aceitei o convite para ser jurado de um conjunto de propostas dos estudantes da rede pública do município, no Fórum de Ideias, organizado pelo vereador Vanderlei Bento, ontem na Universidade Veiga de Almeida. Cobro uma atitude mais democrática da Câmara, e quando ela realiza, mesmo que de forma tímida, devemos estimular e sugerir aprimoramentos. Foi o que fiz com minha participação, principalmente na minha fala de encerramento. Participei também atendendo aos pedidos de vários estudantes que estariam no evento.
Daqui a pouco a gente volta!!
CAMPANHA CICLOVIAS JÁ !
CONTINUIDADE DA CAMPANHA INSTITUCIONAL PELA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA REDE INTEGRADA DE CICLOVIAS PARA CABO FRIO.
COMO O ATUAL PREFEITO ALAIR CORREA GOSTA DE OBRAS FARAÔNICAS, ASFALTO E CONCRETO, QUE TAL UMA OBRA DESSA QUE VAI TRAZER BENEFÍCIOS PARA A CIDADE, REDUZIR A DEPENDÊNCIA DE CARROS E ÔNIBUS, HUMANIZAR O NOSSO JÁ CAÓTICO TRÂNSITO NO CENTRO E TORNÁ-LA AMBIENTALMENTE MAIS SUSTENTÁVEL. SE VOCÊ APOIA, PARTICIPE!!
ESTAREMOS POSTANDO NOTÍCIAS, IDEIAS E AÇÕES REALIZADAS EM OUTRAS CIDADES DO BRASIL E DO MUNDO QUE MOSTRAM A IMPORTÂNCIA E A RELEVÂNCIA DE UM PROJETO COMO ESSE. PORTANTO, VAMOS NESSA, CICLOVIAS JÁ!!!!!
* Duas rodas em outros países:
• LONDRES: Na cidade de Londres é possível solicitar gratuitamente um mapa com as rotas divididas por áreas. O aluguel de bicicletas custa 1 libra. Existe um sistema de isenção de impostos para empresas cujos funcionários utilizam a bicicleta para fins profissionais.
• DUBLIN: A cidade de Dublin possui um esquema de aluguel de bicicletas chamado Dublinbikes que disponibiliza 450 bicicletas divididas em 44 estações. A iniciativa incentiva o uso desse tipo de transporte em viagens curtas, já que o uso por 30 minutos é gratuito.
• PARIS: O incentivo ao uso da bicicleta começou em 2001. Em 2007 foi implantado um sistema de aluguel de bicicletas e a cidade se tornou um exemplo do cicloativismo. A previsão é de que as ciclovias na cidade, que possui hoje uma malha de 440 km, sejam ampliadas para 700 km.
• AMSTERDÃ: Amsterdã possui mais de 400 km de ciclovias pelas quais circulam 600 mil bicicletas. Aproximadamente 40% de toda a circulação é feita em bicicletas. O uso desse meio de transporte é tão forte na cultura holandesa que existem até os Táxis Bicicleta.
• BERLIM: A cidade possui um sistema integrado com o transporte público. Segundo o governo, cerca de 10% dos ciclistas fazem seu trajeto utilizando a bicicleta em conjunto com trens ou ônibus.
• NOVA YORK: Em junho de 2009, a cidade de Nova York completou o plano de entregar mais de 321 km de ciclovias, o que praticamente dobrou a malha cicloviária, em três anos. Nesse período, o uso da bicicleta como meio de transporte aumentou em 45%.
• BOGOTÁ: A construção das ciclovias na cidade colombiana fez parte de um plano de renovação urbana no início dos anos 2000, quando foram construídos 120 km de ciclovias. Atualmente são 334 km de ciclovias utilizados por aproximadamente 285 mil pessoas.
Fonte: Portal Terra
sábado, 19 de outubro de 2013
NOTÍCIAS E FATOS
* A Assembleia do Sepe em Cabo Frio ontem votou e aprovou as seguintes propostas:
1- Manutenção do ESTADO de GREVE, no qual a classe fica preparada para entrar em greve a qualquer momento;
2- Ato público durante o "desfile cívico" do dia 13 de novembro;
3- Nome do Prof. Rafael Peçanha, em substituição ao nome da Profª Marly Verdade para o Conselho do FUNDEB;
4- Nome da Profª Renata De Melo Tavares como Representante de base da Rede Estadual;
5- Acompanhamento de todas as sessões da Câmara té a provação da LOA 2014;
6- Assembleia no dia 04 de novembro 18h, na E.M. São Cristóvão;
7- Panfletagem da Rede Estadual dia 22, terça, 17h, no Largo Santo Antônio;
8- Discussão da Reposição de aulas na Assembleia do dia 04 de novembro.
Não foram agendados novos dias de paralisações nem greves por tempo determinado.
* Tem sido muito importante o apoio dos estudantes a greve dos professores da rede municipal de Cabo Frio. Eles como ninguém, "sentem na pele" as péssimas condições estruturais de grande parte das escolas e a falta de um projeto pedagógico que melhore e motive o aprendizado. Sabem também das difíceis condições salariais dos seus professores e dos demais funcionários de apoio.
* Impressiona o marasmo administrativo e inação do "novo" velho governo nas áreas de políticas públicas essenciais, como educação, saúde, habitação popular e geração de emprego. São decorridos praticamente 10 meses, arrecadados quase 600 milhões de reais e até agora, nestas áreas, nenhuma mudança estrutural. A "menina dos olhos" do prefeito continua sendo a polêmica obra faraônica da Praia do Forte.
* A eleição é só em 2014, mas continua frenético o ritmo das pesquisas eleitorais e "alianças" políticas com vistas ao pleito para o governo do Estado. O interessante é que cada candidato tem a sua pesquisa, evidentemente, favorecendo sua candidatura. Garotinho, Lindberg e Crivella lideram em algumas. O PT e o PMDB, vivem "entre tapas e beijos". Ninguém discute um projeto programático de ideias, disputa-se espaço na mídia e qual o tipo de "ajuntamento" pode favorecer o projeto pessoal de cada um. Tenho dito: informação e renovação são palavras chaves para 2014!!!!!!
* O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous foi outro jurista que se manifestou contra esta "Lei das Organizações Criminosas" que visa intimidar e reduzir o número de pessoas nas manifestações:
"O RIO DE JANEIRO VIVE UMA SITUAÇÃO INACEITÁVEL.
Manifestantes ou meros espectadores de atos políticos são enquadrados na chamada Lei de Organizações Criminosas, abertamente inconstitucional, e que, ademais, não se aplica a quem participa de manifestações públicas;
Eles são, também, indiciados por crimes de formação de quadrilha, corrupção de menores e outras aberrações. Presos arbitrariamente pela PM, são conduzidos a delegacias distantes para dificultar o trabalho dos advogados;
Seu indiciamento é feito sem critério, a partir do livre arbítrio dos delegados;
Jovens, sem vinculação com atividades delituosas, são processados por crimes inafiançáveis e correm o risco de serem condenados à prisão.
Convém lembrar que, numa democracia, mesmo os envolvidos em atos de depredação devem ser tratados na forma da lei. Não se pode combater ilegalidade com outra ilegalidade.
Advogados que buscam impedir essas arbitrariedades estão sendo tratados com hostilidade e vistos como estorvo à atuação policial. Agentes, a pretexto de realizar “oitivas informais”, impedem que os profissionais tenham contato com seus clientes. É bom recordar que “oitivas informais” de presos eram comuns na ditadura militar e são inaceitáveis numa democracia.
Essa situação é inadmissível. A observância dos direitos constitucionais não deve estar sujeita aos humores da autoridade policial.
Os 25 anos de nossa Constituição merecem uma comemoração mais adequada."
* Um ato de protesto realizado hoje, em frente ao Laboratório Royal, contra a utilização de cães como cobaias para experimentos na indústria de cosméticos, foi dissolvido com uma ação extremamente truculenta do batalhão de choque da polícia paulista. Vários manifestantes ficaram feridos. É um atraso tecnológico e uma aberração biológica esta prática, que já foi abolida nos principais países do mundo. As licenças do laboratório serão revistas pelas autoridades sanitárias federais. Parabéns aos defensores dos animais que tiveram a coragem de fazer este enfrentamento com os empresários e com o braço armado do Estado, que por incrível que pareça, está sempre contra a vontade popular.
Até quando vamos manter estes canalhas no poder?
* Tenho insistido aqui no blog sobre este importante tema que é a Dívida Pública. Reconheço que é um assunto técnico e complexo, mais precisa ser colocado no debate político. A grande mídia e os partidos conservadores, inclusive o PT, não querem discutir a questão. Falta muita informação a população devido a este fato. A dívida que vai consumir 44% do orçamento geral da união para 2014 é o maior entrave ao desenvolvimento do país, provocando uma brutal transferência de recursos públicos para o sistema financeiro nacional e transnacional. O gráfico acima mostra a disparidade no gasto público e o que estes "caras" elegem como prioridade orçamentária.
Vamos deixar novamente esta turma continuar no poder? Mais uma vez precisamos de informação e renovação!!!!!!
* A torcida do Vasco está sofrendo todo o tipo de gozação dos torcedores dos outros times cariocas. Alguns não tem muita moral, não, pois já visitaram a segundona e penaram para voltar. Tudo culpa do ex-ídolo e atual presidente Roberto Dinamite. Deputado gazeteiro do PMDB na Alerj, Dinamite colocou na administração do clube tudo de ruim que ele aprendeu com seus "mestres" naquela Casa. Nepotismo, má gestão, denúncias de corrupção, favorecimentos à empresários, contratações sem critério técnico, jogadores exagerando na noite carioca sem punição, além de outras, levaram o Vasco a amargar este mau momento. Mas, vamos lá, ainda há esperanças de não cair. Vamos cobrar mais raça desses jogadores que precisam honrar esta camisa de grande história que vestem hoje.
* Tenho sido aqui um crítico duro da Câmara de Vereadores por motivos diversos e não retiro nada do que disse. Uma das principais críticas que faço é a falta de abertura para participação popular. Por isso, não posso deixar de citar a boa iniciativa do vereador Vanderlei Bento em realizar o Fórum de Ideias "Eu tenho voz". Uma iniciativa de abertura para a participação popular no mandato, onde os estudantes das escolas públicas de Cabo Frio se reuniram para apresentar propostas a serem discutidas na Câmara, com possibilidades de virarem projetos de lei. É ainda um longo caminho a ser percorrido, mas a iniciativa é válida.
* Fui convidado a ser um dos jurados a avaliar as propostas e vi boa participação dos estudantes. Acho também que a iniciativa deve se estender a outros segmentos, como por exemplo, ambientalistas, esportistas, profissionais da educação e da saúde.
* Segue rolando a nossa enquete. Qual o nome do troféu a ser entregue ao vencedor do sensacional "Campeonato de Processos" travado entre Marcos Mendes e Alair Correa? A semana andou morna, mas dada a ficha corrida de ambos, logo, logo, vai esquentar novamente. Vote e participe!!!!!!!!!!
Logo mais, as rapidinhas......................
POESIA NUMA HORA DESSA !
Até quando o mundo será governado pelos tiranos?
Até quando nos oprimirão com suas mãos cobertas de sangue?
Até quando se lançarão povos contra povos numa terrível matança?
Até quando haveremos de suportá-los?
Bertolt Brecht
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
RAPIDINHAS.............................
* Os professores da rede municipal de Cabo Frio, municipal do Rio e da rede estadual continuam demonstrando grande capacidade de mobilização e resistência no enfrentamento e manutenção do movimento grevista em prol da educação. As vozes reacionárias que se manifestam são as de sempre e já conhecidas. Não intimidam mais ninguém. Força ao movimento!!!
* Aliás por falar em greve, ontem eclodiu mais uma. A greve dos petroleiros já atinge as unidades da Petrobrás em todo país. Na pauta, reposição salarial e a luta para impedir o "nefasto" leilão de privatização do poço de Libra, na bacia de Santos. É um crime de "lesa pátria". Dilma e o PT na campanha criticaram Serra e FHC por isso, e agora de forma vergonhosa descumprem o que prometeram. Quer confirmar, veja o vídeo postado abaixo.
* O ex-diretor da Petrobrás e professor da USP, Ildo Sauer, especialista em matrizes energéticas, e o advogado Fábio Konder Comparatto também entraram com Ação Popular contra o Leilão. Soma-se a ação já impetrada pelo PSOL. O leilão ocorre no dia 21 de outubro, num hotel na Barra da Tijuca.
* Alguns manifestantes presos no Ato do Dia do Professor, na última terça, já começam a ser soltos, inclusive o professor e pesquisador da Fiocruz, dada a fragilidade das acusações oriundas de uma polícia opressora e despreparada para lidar com manifestações populares. Novamente o Deputado Federal Chico Alencar, via face, é preciso na sua avaliação:
"Os policiais que forjaram um flagrante sobre um jovem estão presos ou, ao menos, investigados? Os que torturaram, mataram e ocultaram o corpo de Amarildo estão no complexo de Bangu? Empreiteiros e seus sócios, os políticos corruptos, estão respondendo a algum processo? Exército e Força Nacional estão mobilizados para IMPEDIR o leilão privatista do nosso maior campo petrolífero? JUSTIÇA PARA QUEM? QUE PAÍS É ESSE?"
* Pode não parecer, mas todas estas coisas que vêm sendo citadas aqui no blog e que estão acontecendo no estado e no país afetam também as decisões políticas no município. A prática política de um governo de perfil conservador e reacionário como é o de Alair Correa é expressa no seu comportamento com os professores grevistas e nas postagens de sua assessoria de comunicação pela mídia local.
* Praticamente 10 meses de governo, quase 600 milhões de arrecadação e a "máquina administrativa" não consegue produzir resultados satisfatórios nas principais áreas de políticas públicas, principalmente, na saúde, educação, geração de empregos e habitação popular. Nenhuma sinalização de reforma estrutural, apenas "melhorazinhas" que não produzem efeitos duradouros.
* Vale a pena lembrar uma frase de Karl Marx que ilustra o atual quadro político da cidade: " A história se repete. A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa".
* O Vasco perdeu mais uma. Desta vez para o Goiás em Macaé. Tem blogueiro que mente, pois não quebro televisão, apenas pulo no sofá, após os erros de passe de dois metros do Felipe Souto e do Marlone, as furadas do Jomar e do Cris, das matadas na canela do Pedro Ken e do John Clay( é assim que se escreve?) e das péssimas finalizações do André, além da tristeza que dá quando você olha o banco de reservas. Dinamite a torcida não merecia este sofrimento!!!!
* Tem pessoas que se filiam a partido político como forma de infiltração e espionagem e após serem descobertas são "convidadas" a se retiraram. Assinam a desfiliação, mas as vezes, de forma proposital, não as levam até o cartório eleitoral. A filiação é um processo democrático e não está escrito na testa de nenhum cidadão comum o seu pensamento político. Isso só vai aparecer depois.
* Foi rapidinho demais, mas daqui a pouco a gente volta!!!!
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
NOTÍCIAS E FATOS
* O Leilão do Poço de Libras, na bacia de Santos, no próximo dia 21 de outubro é uma aberração econômica, uma entrega de patrimônio público as empresas petrolíferas transnacionais e uma quebra de promessa do PT de Lula e Dilma que diziam o contrário durante a campanha passada. Abaixo o depoimento de Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro, que junto com o PSOL, tentam impedir esta negociata:
“Quem ganhar o leilão de Libra terá direito de explorar o campo por 40 anos. Em quatro décadas, a petrolífera estrangeira vai secar a reserva. Petróleo não tem duas safras. São reservas que não se renovam e levam milhões de anos para se formar”.
Mentira nº 1 – O leilão vai desenvolver todas as regiões do país e vai trazer emprego e renda aos brasileiros.
O fato: A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Bicombustíveis – ANP já realizou 11 leilões e até hoje nenhuma empresa vencedora desses leilões, à exceção da Petrobrás, construiu refinaria, plataforma, navio ou sonda no Brasil.
Mentira nº 2 – O Brasil não possui tecnologia nem recursos financeiros para produzir no pré-sal.
O fato: a) Quem desenvolveu a tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal foi a Petrobrás; b) A Petrobrás possui reservas de, no mínimo, 60 bilhões de barris de petróleo. O equivalente a pelo menos 6 trilhões de dólares, cotando o barril à média de 100 dólares. Com uma garantia dessas, que banco deixará de financiar a Petrobrás?
Mentira nº 3 – A presidenta Dilma afirma que “ o dinheiro dos royalties vai permitir grandes investimentos em educação (…) mais creches, alfabetização na idade certa, escolas em tempo integral, ensino médio profissionalizante, mais vagas em universidades, mais pesquisa e inovação, professores mais preparados e bem remunerados.”
O fato: O dinheiro dos royalties até hoje só serviu para colocar chafarizes em praça pública, porcelanato nas calçadas, financiar shows e campanhas políticas. Campos dos Goytacazes, o município que mais recebe royalties no Brasil, tem um dos piores IDH, além de ser o recordista no estado do Rio em trabalho escravo. O Estado do Rio, que fica com mais de 80% dos royalties, tem os professores mais mal pagos e uma das piores escolas públicas do Brasil. Além disso, os royalties representam 15% do petróleo. Mas só 5%, a parcela reservada à União, estarão garantidos à educação e à saúde.
Os 15% dos royalties representam o rabo do elefante. A sociedade quer discutir o elefante inteiro, ou seja, o que fazer com os outros 85% do petróleo que estão sendo entregues a petrolíferas estrangeiras, através dos leilões.
Mentira nº 4 – O Brasil já assimilou a ideia de realizar leilões.
O fato: Embora a imprensa hegemônica, que está a serviço das grandes empresas, boicote as verdades sobre o campo de Libra para enganar o povo e beneficiar as empresas, o povo não apoia a entrega das riquezas do país a multinacionais estrangeiras.
Nas décadas de 1940-50, os brasileiros criaram a campanha “O Petróleo é Nosso!”, a maior campanha cívica do país. Isso quando o petróleo ainda era um sonho. Agora que é realidade, temos o desafio de barrar os leilões.
Mentira nº 5 – Leilão não é privatização.
Fato: No caso de Libra, quem ganhar o leilão terá direito de explorar o campo por 40 anos. Em quatro décadas, a petrolífera estrangeira vai secar a reserva. Petróleo não tem duas safras. São reservas que não se renovam e levam milhões de anos para se formar.
Mentira nº 6 – Temos que aproveitar a oportunidade e vender todo o nosso petróleo, porque a tendência é a queda do preço dessa comodity.
Fato: Os especialistas de petróleo são categóricos. À medida que ficar mais escasso a tendência é o preço do petróleo ultrapassar a marca de 100 dólares o barril. Aliás, o petróleo tem sido o motivo das guerras contemporâneas. Alguém tem dúvidas sobre porque é tão disputado?
Porém, a maior de todas as verdades foi pronunciada pela atual presidente da República. Durante a campanha, em 2010, Dilma Rousseff disse, e está gravado, que “privatizar o pré-sal é um crime” e que ele é “o nosso passaporte para o futuro”.
* Segue o estranho silêncio das autoridades municipais e estaduais sobre o embargo das obras do loteamento que estão devastando as Dunas do Peró. As máquinas, apesar de paradas, continuam no local, gerando dúvidas nos ambientalistas. Por que é tão difícil encarar esta questão com maior transparência? A prefeitura precisa se pronunciar.
Vale a pena registrar a opinião do ambientalista Elísio Gomes, via face:
"Amigos moradores da cidade de Cabo Frio, Área de Preservação Permanente(APP), segundo a Lei Federal nº 12.651/12, é toda aquela constante em seus artigos 4º, 5º e 6º da referida lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas."
* Esta placa está causando estranheza nos moradores do bairro Palmeiras. Segundo uma moradora, ela está numa área de manguezal, formação vegetal típica de zonas litorâneas. Ele é de fundamental importância para o equilíbrio ambiental e para a manutenção da vida marinha, pois esse bioma abriga uma grande biodiversidade e consiste em um berçário natural para várias espécies marinhas, onde peixes, moluscos e crustáceos se reproduzem e se alimentam.
Será que vem outra agressão por aí em nome da especulação imobiliária?
* A prisão dos manifestantes ocorridas no Ato do Dia do Professor, na última terça-feira, no centro do Rio, em sua maioria, foram autoritárias, sem uma investigação policial mais precisa. A prova foi a prisão absurda do professor e pesquisador da Fiocruz, Paulo Roberto Abreu Bruno, que estava fazendo uma pesquisa sobre movimentos e manifestações urbanas. Foi recolhido de forma arbitrária pela PM sem checar sua identidade. A Fiocruz, com apoio da OAB, está tomando as providências para sua soltura. Sobre o episódio, relato aqui mais uma oportuna citação do jornalista Milton Temer:
"Foto e reportagem do Globo comprovam que formação de quadrilha, quem promoveu de forma planejada nos distúrbios da Cinelândia foi a própria PM. Primeiro, pela legenda da imagem, informando que os primeiros presos eram os jovens sentados na escadaria da "gaiola de ouro". Repito, sentados. E, depois, com a informação no texto de que a praça estava previamente cercada para impedir a saída dos manifestantes. Ou seja, uma provocativa ratoeira que vai contra as regras mais primárias de controle de manifestações, que é a de deixar espaços de escape para a multidão. Fizeram o oposto. Montaram uma armadilha para capturar e criminalizar o conjunto de manifestantes a despeito de comprovadamente estarem querendo sair do teatro de horrores das bombas a gas e dos disparos lançados a esmo, ou de apenas estarem dando prosseguimento ao "Ocupa Câmara" que há semanas está instalado na frente daquela casa desonrada pela maioria dos seus membros.
Cabralfilho e seu esquema de segurança civil e militar, esses são os verdadeiros vândalos. Esses são provocadores da onde de repressão com a qual se tenta aterrorizar e evitar o crescente afluxo de apoios às manifestações contra o governo, achando que com isso vão esvaziar os movimentos e diminuir a onda de protesto e indignação contra seu governo cheio de indícios de improbidade. Não quer alcançar os infiltrados ou os delinquentes que se aproveitam. Quer neutralizar as lideranças políticas. Com seu queixo arrebitado e arrogante, prova que marcha para se identificar como uma cópia de Mussolini."
Não passará!!!
* Esta semana o Congresso tentava votar uma "embusteira" mini-reforma eleitoral para aumentar privilégios daqueles que se beneficiam do financiamento privado de campanha. Esta forma de financiar campanhas é a maior fonte de corrupção na política. A "fatura" cobrada por esses financiadores depois da eleição são materializadas nos escândalos que presenciamos diariamente na mídia. Por sorte, não foi votada. O Deputado Federal Chico Alencar presente no debate, disparou de Brasília pelo twitter:
"Nesta votação sobre limite para gastos na campanha fica nítido, mais uma vez, quem é quem na política brasileira: PMDB, PSDB, DEM, PP, PTB, PSD e PR são contra qualquer teto e o PT, partido de Henrique Fontana, autor da proposta do limite, libera voto de sua bancada. É a “plutocracia” (governo dos ricos) do Brasil. A favor do limite dos gastos, apenas, além do PSOL, o PDT, PSB, PPS, PV e PROS."
* No site Ópera Mundi foi publicada uma pesquisa realizada pelo Credit Suisse Wealth Report, analisando o PIB mundial em 2013, constatando a elevação da concentração de renda e riquezas no planeta. Apenas 0,7% detém 41% da riqueza mundial. Os dados relativos ao Brasil apontam uma desigualdade ainda maior, com 10% da população se apropriando de 72% das riquezas produzidas. O estudo mostra ainda que no nosso país, 124 famílias detém 12% de todo o PIB nacional. Este é o velho e bom modelo capitalista de produção radicalizado à brasileira!!!!!!!!!!!
* O sonho de emancipação de Tamoios voltou a ganhar força esta semana com a aprovação pelo Senado, por 53 votas a 5, do Projeto de Lei que autoriza a criação de novos municípios. O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em junho e agora vai a sanção da presidente Dilma. A partir da sanção presidencial, que deve acontecer sem problemas, vai caber a Assembléia Legislativa do Estado decidir e criar as condições jurídicas para efetivar a tão sonhada emancipação. A emancipação do distrito de Tamoios tem nosso apoio, conforme artigo publicado anteriormente neste blog e também no Jornal Tamoios, que pode ser acessado através do site: www.jornaltamoios.com.br
Mais tarde as rapidinhas..................
O ESTADO E A VIOLÊNCIA
A maior de todas as violências do Estado é o próprio Estado. Ele é, antes de tudo, uma força que sai da sociedade e se volta contra ela como um poder estranho que a subjuga, um poder que é obrigado a se revestir de aparatos armados, de prisões e de um ordenamento jurídico que legitime a opressão de uma classe sobre outra. Nas palavras de Engels é a confissão de que a sociedade se meteu em um antagonismo inconciliável do qual não pode se livrar, daí uma força que se coloque aparentemente acima da sociedade para manter tal conflito nos limites da ordem.
A ideologia com a qual o Estado oculta seu próprio fundamento inverte este pressuposto e o apresenta como o espaço que torna possível a conciliação dos interesses que na sociedade civil burguesa são inconciliáveis. A contradição existe no corpo da sociedade dividida por interesses particulares e individuais, enquanto o Estado, ao gosto de Hegel, seria o momento ético-politico, a genericidade como síntese da multiplicidade dos interesses. A este momento político universal se contrapõe o dissenso, a rebeldia, o desvio e este deve ser contido nos limites da ordem, do que resulta que todo Estado é o exercício sistemático da violência tornada legítima.
Desde Maquiavel que a teoria política moderna sabe que a violência não pode ser o instrumento exclusivo do Estado, o uso adequado da violência (para Maquiavel aquele que atinge o objetivo de conquistar e manter o Estado) deve ser combinado com as formas de apresentá-lo como legítimo, o que nos leva à síntese entre os momentos de coerção e consenso, a famosa metáfora maquiaveliana do leão e da raposa. Poderíamos dizer que a violência só é eficaz quando envolvida por formas de legitimação da mesma forma que os instrumentos de consenso pressupõem e exigem formas organizadas de violência. O leão e a raposa são igualmente predadores, suas táticas é que diferem.
A separação entre violência e consentimento, entre coerção e consenso, serve às vestes ideológicas que procuram apresentar o Estado como uma função necessária e incontornável da sociabilidade humana. Nesta leitura ideológica, uma vez constituída a sociabilidade sobre as formas consensuais expressas no ordenamento jurídico, nas normas morais e imperativos éticos aceitos e compartilhados, a violência fica como uma espécie de reserva de segurança para conter os casos desviantes. Assim, a violência é apresentada como exceção e o consentimento como cotidianidade. O Estado é a garantia que a violência será coibida.
Nada mais enganador. A violência é resultante da contradição inconciliável que fundamenta nossa sociabilidade e portanto ela é cotidiana, onipresente e inevitável. Ainda que disfarçada de formas não explícitas como nos consensuais procedimentos legais e fundamentos jurídicos, como valores morais ou formas aceitas de ser e comportar-se. Até Durkheim sabia disso quando afirmava que as formas de ser, agir e pensar são impostas coercitivamente e se não percebemos esta coerção nas formas cristalizadas como hábitos não é porque ela não exista, mas porque já foi realizada com eficiência.
Mesmo a violência explícita é cotidiana. Ela é explícita e invisível, se mostra para ocultar-se. No preconceito que segrega, na miséria que aparta, na polícia que prende, tortura e mata, na moradia que se afasta, nas portas que se fecham, nos olhares que se desviam. Na etiqueta de preço nas coisas feitas em mercadorias que proíbem o acesso ao valor de uso, no mercado de carne humana barata na orgia de valorização do valor, sangue que faz o corpo do capital manter-se vivo.
Mas ela também é explícita e visível. No tapa da cara do trabalhador na favela dado por um homem de farda e armado. Na fila de cara para o muro sendo apalpados, nos flagrantes forjados ou não, no saco de plástico na cabeça, na porrada, no chute na cara, no choque nos testículos. Na cabeça para baixo, olhos para o chão, mãos na cabeça, coração acelerado. Na humilhação de ser jogado no camburão, na delegacia, como carga de corpos violentados nos presídios, longe de direitos e mesmo de procedimentos elementares, muito longe de recursos e embargos infringentes.
Um doente aidético, chora em sua cama na enfermaria do antigo presídio do Carandiru e atrapalha o sono do agente penitenciário. É espancado em sua cama com um cano de ferro. O cano da arma na boca da criança que dorme nos degraus da igreja na Candelária. O viciado arrastado à força para o “tratamento”. O louco impregnado de medicamentos. A família que vê o trator derrubar sua casa na remoção para viabilizar a Copa do Mundo de futebol. A mãe que reconhece o corpo de seu filho assassinado no mato e ouve do delegado para deixar quieto e não fazer ocorrência. Ela parou de falar, obedeceu.
Mas haveria uma ligação entre esta violência dispersa e multifacetada e o Estado como garantia da ordem burguesa? O Estado parece deixar-se distante disso tudo. Certo que são seus agentes que operam esta violência cotidiana, mas o Estado trata, como cabe a uma universalidade abstrata, de abstrações. Ele traça os planos, as metas, as políticas. Ele elabora o PRONASI, um programa nacional de segurança e cidadania, no qual os objetivos são moralmente aceitos, os meios os melhores e as intenções louváveis, mas os corpos começam a aparecer nas UPPs. O prefeito chora em Copacabana quando o Rio é escolhido para sediar o grande evento esportivo e o trator começa a derrubar casas. A presidente aprova a usina hidroelétrica e as árvores e índios começam a perder seus espíritos e raízes.
Há três anos, depois do primeiro turno das eleições nas quais o PT apoiou a candidatura de Sérgio Cabral ao governo do Rio de Janeiro, Lula discursando na inauguração de uma plataforma de petróleo da Petrobras em Angra disse:
“O Rio de Janeiro não aparece mais nas primeiras páginas dos jornais pela bandidagem. O governo fez da favela do Rio um lugar de paz. Antes, o povo tinha medo da polícia, que só subia para bater. Agora a polícia bate em quem tem que bater, protege o cidadão, leva cultura, educação e decência”.
Três anos depois um pedreiro sai de um boteco na Rocinha “pacificada”. É abordado pela polícia militar e levado para averiguações na sede da UPP. Sua cabeça é coberta por um saco plástico, é espancado e toma choques. Epilético, não resiste e morre. Os policiais desaparecem com o corpo. Dez policiais são indicados pelo crime, o governador Cabral e o secretário de segurança Beltrame não estão entre eles. O Estado no seu reino de metafísico está protegido pela muralha da universalidade abstrata, no cotidiano da sociedade civil burguesa onde se estraçalham as particularidades pode-se sempre acusar o erro humano, o desvio de conduta, a corrupção. O Estado então promove seu ritual de encobrimento: vai ser aberta uma sindicância e serão feitas averiguações. Evidente que os dez acusados ou suspeitos não serão sequestrados, suas cabeças enviadas em sacos plásticos e seus corpos desaparecidos.
Na abstração dos direitos somos todos somos iguais. Na particularidade viva da sociedade burguesa somos pobres, pretos, favelados, facilmente identificados para receber práticas discriminatórias em nome da ordem a ser mantida. Ordem e tranquilidade. Na ordem garantida os negócios e acordos são garantidos sem sobressaltos, a acumulação de capitais encontra os meios de se reproduzir com taxas adequadas, o Estado é saneado financeiramente destruindo as políticas públicas e garantindo a transferência do fundo público para a prioridade privatista. A ordem garante que a exploração que fundamenta nossa sociabilidade se dê com tranquilidade.
No entanto as contradições desta ordem, por vezes, explodem em rebeldia e enfrentamentos. Não apenas como nos protestos que presenciamos desde junho, mas também por pequenas explosões e caóticas resistências que vão desde o enlouquecimento e a miserabilidade que se torna incomodamente visível, até o crime.
Professores, universitários do ensino público federal ou da rede estadual e municipal de ensino, que resolvem não aceitar a imposição de um plano de carreira; jovens que se recusam a pagar o aumento das passagens, mulheres exibindo seus seios e jovens se beijando, escudos, vinagres e máscaras; são apenas a expressão mais contundente e parcial da contradição (esperamos ainda que despertem metalúrgicos, petroleiros e outros). Além destas manifestações já estavam lá no corpo doente da cidade, os bolsões de miséria, as favelas, as famílias destruídas, os jovens sem futuro acendendo seus isqueiros para iluminar um segundo de alegria.
O Estado é a trincheira de proteção estratégica da ordem da propriedade privada e da acumulação privada da riqueza socialmente produzida. No centro desta zona estratégica está a classe dominante, a grande burguesia monopolista dona de fábricas, bancos, empresas de transporte, controlando o comércio interno e externo, o agronegócio, as indústrias farmacêuticas e das empresas de saúde, etc. São cerca de 124 pessoas que controlam mais de 12% do PIB do Brasil, os 10% mais ricos que acumulam 72,4% de toda a riqueza produzida. Em seu entorno estão seus funcionários, um exército de burocratas, políticos, técnicos e serviçais de toda ordem que erguem em defesa deste círculo estratégico de uma minoria plutocrata as esferas do poder público e seus aparatos privados de hegemonia.
Na forma de um terceiro círculo de defesa, mas que se articula a este segundo, está um exército de funcionários que executam o trabalho (limpo ou sujo) de manutenção da ordem. Como extrato baixo da burocracia Estatal não compartilha dos altos salários e benesses do segundo círculo, mas isso não os faz diretamente membros da classe trabalhadora por receberem baixos salários e terem que trabalhar e viver nas condições de nossa classe. O ato de um policial militar que estapeia o rosto de um trabalhador na favela é o ato pelo qual ele abdica de sua condição de classe, se alia aos nossos algozes e se torna nosso inimigo.
Contraditoriamente, o ato pelo qual uma corporação, como os bombeiros, se levanta em greve por condições de trabalho e salários, é o ato pelo qual rompe com seus chefes e busca aliar-se a sua classe para constituí-la enquanto classe. “O bombeiro é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”, gritam os trabalhadores que lhes abrem os braços com a infinita solidariedade que constitui a liga sólida que nos faz classe.
Um taxista pega um grupo de professores e pergunta se eles estavam na manifestação contra o Prefeito Eduardo Paes e seus planos de carreira. Diante da resposta positiva o taxista diz: “então não vou cobrar esta corrida, fica como contribuição para a luta de vocês”.
O Estado precisa reprimir e criminalizar toda e qualquer dissidência pelo simples motivo de que por qualquer pequena rachadura da ordem pode brotar a imensa torrente que nos unirá contra a ordem que o Estado garante. Ainda que muitos de nós ainda não saibamos disso, o Estado e a classe que ele representa sabem.
A ridícula minoria de exploradores e os círculos de defesa que se formam em torno deles, está cercado por nós, a maioria. Primeiro pelos trabalhadores recrutados pelo capital para valorizar o valor, depois um enorme contingente de trabalhadores que garantem as condições indiretas de produção e reprodução da força de trabalho e logo em seguida pela massa de uma superpopulação relativa cujo papel e pressionar os salários para baixo para manter a saúde da acumulação de capitais. Por isso eles estão armados até os dentes, por isso tem tanto medo de nós.
Fica evidente o motivo pelo qual a classe dominante precisa do Estado, a grande pergunta é: para que nós precisamos do Estado?
A justificativa ideológica quer nos fazer crer que a complexidade da sociedade contemporânea exige um grau de planejamento, técnica, procedimentos sem os quais seria impossível a vida em sociedade e mergulharíamos no caos da guerra de todos contra todos. Ora, como diria Einstein: defina caos! Estamos mergulhados na guerra da burguesia monopolista e imperialista contra todos! Brecht já dizia em seus poemas sobre a dificuldade de governar: “Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar. Sem os ministros o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas.”
Quem somos nós e porque precisamos deles? Somos trabalhadores, sabemos plantar alimentos, construir casas, fazer roupas e meios de transporte, calçados e todos os tipos de ferramentas, ensinamos e cuidamos de nossa saúde, e como não somos de ferro fazemos músicas e poemas, trazemos a vida para telas e palcos, damos forma ao mármore e ao bronze, nos olhamos e nos apaixonamos e temos filhos tão humanos, tão humanos que carregam a vã esperança de que podemos ser melhores.
Mas isso é utópico, a natureza humana… a natureza humana! Nos gritam os ideólogos. Temos contradições, é verdade. Nós brigamos, divergimos, conhecemos a maldade e os canalhas de toda a espécie. A ordem da propriedade e da mercadoria e o poder que inevitavelmente a ela se acopla transformam nossas contradições em contradições inconciliáveis e criam formas de poder que consolidam uma ordem de exploração. Não querermos abolir as contradições queremos desvesti-las da forma histórica da propriedade e vivê-las humanamente.
Quando tivermos superado esta ordem e um trabalhador hipoteticamente encontrar em um banco de praça o Cabral e o Paes, despidos de toda a autoridade de seus cargos, nus de todo poder com o qual a ordem do capital os ungiu, vai colocar a mão no ombro deles e dizer: “vocês são uns bostas, canalhas mesmo, minha vontade é chamar aquele meu amigo black bloc e te encher de porrada… mas eles não batem em gente, só em coisas. O lanche é às 16 horas e a festa às 20 horas lá na praia, passa lá para a gente vaiar vocês… pelos maus tempos”.
É lógico que eles e seus patrões verdadeiros não vão permitir que isso aconteça, por isso temos que nos constituir como um poder tão grande e definitivo que ninguém possa questionar. Destruir o Estado da Burguesia e construir o Estado dos Trabalhadores que prepare as condições para superar as contradições que exigem um poder separado da sociedade até que consigamos eliminar as classes e constituir uma sociedade sem Estado, autogovernada.
Não precisamos deles (podemos começar fechando o Senado que não vai fazer falta). Não é possível que não possamos fazer melhor que esta porra que está aí. Vai do nosso jeito… nosso porto, por exemplo, pode não ser um “porto maravilha”, porque maravilha para eles é esta cidade horrorosa, desigual e injusta cheia de prédios enormes de cimento e vidro e vazios por dentro à noite, cemitérios com seus túmulos sem ninguém que os habite.
Nosso porto teria casas, algumas modestas com o reboco por consertar e a pintura gasta, com janelas abertas e dentro delas pessoas que as fazem humanas. De lá sairiam crianças alegres, saudáveis e alimentadas, indo para as escolas, parques e museus, e nós sairíamos para o trabalho para fazer todas as coisas que sabemos e a noite voltaríamos para nossas casas e cada um trabalharia de acordo com sua capacidade e receberia de acordo com sua necessidade.
Nós chamamos isso de comunismo, porque somos comunistas. Chamem do que quiser: socialismo, sociedade libertária, anarquismo, plena democracia… não importa, não somos fetichistas das palavras. Queremos apenas, e conquistamos este direito, participar da luta por ela e em sua construção. Afinal, é isso que nós comunistas fazemos… a mais de 160 anos.
Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB.
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