domingo, 18 de abril de 2010

O TRISTE ESPETÁCULO – UMA NOVELA ANUNCIADA

Nestas últimas semanas a população de Cabo Frio está assistindo perplexa e estarrecida a todos os tipos de baixarias políticas, envolvendo os mais variados atores. Marquinho, Alair, Delma e Cia têm nos brindado com inúmeras lições de como fazer política com “ p “ minúsculo, mostrando claramente, a falta de compromisso com a população de nossa cidade. A mídia local noticia fartamente sobre todos os fatos. Interesses pessoais e de grupos se sobrepõem aos desejos e necessidades de nossa população. Uma pergunta, entretanto, não vem sendo feita pela mídia. Qual a resposta que a população vai dar a esta esculhambação ?
É triste ver algumas pessoas dizerem que política é assim mesmo, logo, devemos nos conformar com todas estas atitudes. Não podemos aceitar esta opinião, sob pena de abrirmos mão da esperança de promovermos as mudanças necessárias para varrer da vida pública pessoas que não corresponderam as expectativas do nosso voto. Estes fatos lamentáveis mostram como é importante deixar de lado a alienação política, achar que este tipo de discussão não é importante para nossa batalha do cotidiano. Tudo depende de decisões políticas, já dizia Bertolt Brecht, no século passado, com o seu poema “ O analfabeto político “. Quem não está atento e informado, certamente, sofrerá muito mais as conseqüências de atos políticos negativos
Se navegar é preciso, renovar também se faz necessário. A resposta da pergunta acima, necessariamente, passará por esta questão. Que tipo de renovação estamos dispostos a fazer ?
Não se pode discutir apenas nomes, até porque, estes grupos que brigam pelo poder na cidade têm outros nomes para oferecer como reposição. A reflexão maior deve ser em cima da troca do modelo de gestão pública, caso contrário, estes nomes de reposição serão como trocar seis por meia dúzia.
Este modelo de gestão implantado em nossa cidade há décadas está caindo de podre. Fisiologismo; assistencialismo sem cidadania; falta de transparência com os gastos públicos; inchaço da máquina pública com nomeações fraudulentas e eleitoreiras; falta de políticas públicas essenciais na saúde, educação, saneamento e habitação popular; falta de uma política ordenada para geração de emprego e renda: descaso com o patrimônio cultural; falta de planejamento urbano e uma política voltada para a nossa principal vocação que é o turismo, além de outras questões, nos colocam diante deste desafio de romper com esta forma pequena de fazer política.
Entristece ainda mais, saber que temos o quarto ou quinto maior orçamento do Estado, mostrando que o problema não é falta de recursos, e sim, incompetência e desvio acintoso dos recursos públicos, basta ver os sinais claros de enriquecimento de alguns que ocupam o poder. Qual a resposta que a população vai dar a esta esculhambação ?
Se continuarmos apostando nos mais famosos, sem avaliar o seu conteúdo, se continuarmos vendendo nosso voto por um benefício fugaz e imediato, se continuarmos não prestando atenção no debate político da cidade, avaliando sobre tudo propostas, se continuarmos colocando nosso interesse pessoal em detrimento do interesse coletivo, não vamos dar resposta nenhuma. Continuaremos sendo vítimas do oportunismo político, das mentiras e falsas promessas, da falta de compostura, e principalmente, da falta de planejamento e visão de futuro para nossa cidade, que se abaterá não somente sobre nossa realidade, mas também sobre a perspectiva futura dos nossos filhos e netos.


Claudio Leitão, propagandista, economista e presidente do diretório municipal do PSOL em Cabo Frio.

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