sábado, 10 de outubro de 2009

REFLEXÕES SOBRE A CRISE GLOBAL – CAPITAL FINANCEIRO X CAPITAL HUMANO

A crise econômica mundial tem revelado, diariamente, implicações que afetam a vida social e econômica das nações e seus impactos sobre suas respectivas populações. Os economistas das mais diversas tendências analisam e apontam soluções a serem adotadas pelos governantes, invariavelmente, utilizando recursos públicos, tendo em vista, revitalizar a saúde financeira das empresas e dos conglomerados financeiros, estes últimos, os grandes responsáveis pela crise.
Vários fatores são levantados como causas, a bolha hipotecária americana, especulação exagerada no mercado de derivativos, falta de regulação do mercado, além de outros.
Tudo analisado sob o ponto de vista do capital. E o lado humano? A crise vai provocar desemprego? É claro que sim, mas a prioridade é, supostamente, evitar uma crise sistêmica que atinja o coração do capitalismo selvagem.
Para um melhor entendimento desta lógica quero reprisar um fato ocorrido em 2005, quando o mundo vivia um quadro econômico de euforia, puxado pela locomotiva chamada China e com a economia americana apresentando índices positivos de crescimento, e a partir daí, fazermos uma reflexão de como decidem “os Senhores do mundo”.
Neste ano, em Washington, ocorreu uma reunião com os países que compõe o grupo do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Espanha) para discutir políticas para atenuar a fome na África e em alguns países do Sudeste Asiático. Ao final dos trabalhos, concluiu-se que seriam necessários investimentos de cerca de 250 bilhões de dólares para atenuar esta lamentável crise humanitária e salvar milhares de vidas humanas da fome e da destruição. Ao fim do encontro, o G7 resolveu que este valor era alto demais e inviável como forma de investimento, apesar do bom momento vivido pela economia mundial e da fartura desfrutada por seus habitantes. Definiu-se um valor infinitamente menor para dar uma satisfação a opinião pública mundial.
No ano passado, em plena crise, com as suas economias já apresentando quadros de recessão, EUA, Japão e a União Européia, injetaram dois trilhões e meio de dólares (dinheiro público) para salvar da falência grupos financeiros e grandes empresas que foram incompetentes na tarefa de gerir seus negócios.
Este é o retrato cruel deste modelo neoliberal que domina o mundo e é aplaudido pela maioria de nossa mídia que procura impor isto como verdade absoluta e universal. Chegaram a decretar o Fim da História (Ensaio de triste memória do inconsequente Fukuyama).
Nós, socialistas, acreditamos que este não é o único caminho. Fica clara a necessidade de profundas reformas dentro do marco capitalista para que depois, num segundo estágio, possamos elaborar um modelo em que os interesses do Capital Humano suplante os do Capital Financeiro. A união e a conscientização dos povos explorados do mundo é um dos caminhos.
Sonho? Nova utopia socialista? O futuro certamente nos dará esta resposta.
“Não temos nada a perder, exceto tudo” ( Albert Camus )

Claudio Leitão, economista, dirigente sindical, presidente do Dir. Municipal do PSOL – Cabo Frio-RJ.

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