sexta-feira, 16 de outubro de 2015

RAZÕES PARA CONTINUAR NA MILITÂNCIA POLÍTICA




RAZÕES PARA CONTINUAR NA MILITÂNCIA POLÍTICA

Alguns amigos e familiares me perguntam do por que insistir na militância política por um partido pequeno, de esquerda e socialista, que tem a pretensa proposta de romper com o modelo vigente, dada as condições pragmáticas e pouco republicanas de se fazer política nos dias de hoje. Alegam também que a população de uma maneira geral coloca todo mundo que participa do ambiente político na vala comum e não reconhece nesta “geléia geral” pessoas que realmente pretendem defender verdadeiramente o interesse público e coletivo. A resposta que dou é sempre inspirada numa frase de um cidadão chamado Frei Betto: “Posso não ficar para a colheita, mas insisto em morrer semente.”

Este é o sentimento que me move. Compreendo a dificuldade da população em acreditar que possa ter pessoas bem intencionadas participando do enfrentamento político. Há várias pessoas sérias na luta política dando exemplo todo dia. A grande mídia divulga pouco estas pessoas, por isso, requer por parte dos cidadãos um esforço maior em busca destas informações. Há também pessoas que preferem a crítica fácil, de que todos são iguais sem ter a mínima vontade de antes de emitirem pareceres gerais se aprofundar um pouco na análise e conhecimento do histórico do postulante a cargo público eletivo. Toda generalização é tremendamente reducionista e injusta.

Outros tentam ridicularizar tal militância, entendendo que só deve participar do jogo político quem tiver a certeza de uma boa votação, reduzindo o conteúdo político apenas a questão eleitoral. Não reconhecem que a provocação de um debate mais amplo de temas pode favorecer e contribuir para a elevação da cidadania e do nível de informação da sociedade.

Exerço militância política por motivação ideológica e movido por um profundo desejo de mudanças que possam alterar esta triste realidade política que vivemos. A grande maioria das minhas demandas são coletivas. Não vejo cargo público como profissão ou carreira e não dependo dele para sobreviver. Falo isso para aqueles que me criticam sem me conhecer. Falo isso para aqueles que querem me igualar a estas quadrilhas políticas, nas quais eles costumam votar e reclamar depois.

Alguns me chamam de radical porque o PSOL não age pragmaticamente, através das coligações de praxe para ter mais chances eleitorais. Digo e repito: Para ganhar com estes “caras´” que estão aí, preferimos perder sozinhos. A vitória deles representa a derrota de toda sociedade. Os fatos sociais e políticos presentes no nosso dia a dia atestam isso.

São muros altos que normalmente fazem muitos desistirem. Tenho presenciado a capitulação de vários companheiros nesta luta. Lamento muito estas perdas, entretanto, quero dizer a estas pessoas que tais muros e dificuldades jamais me impediram de continuar minha luta por mudanças. Quer acreditem ou não vão me encontrar participando da vida política da cidade que escolhi para viver, independente das “armas e instrumentos” que estiverem disponíveis para esta atuação.

Resultados negativos sob o ponto de vista eleitoral não vão me abater. Gozações, piadinhas, maledicências, calunias e mentiras defecadas via rede social, menos ainda. Sou maior que estas coisas. Não tenho pretensão de realização pessoal na política. Repito: o que me move é o sentimento coletivo

Se quisesse trilhar um caminho fácil e convites não faltaram para isso, não estaria no PSOL, na trincheira de luta ao lado dos trabalhadores. Cargo público para mim tem que estar associado a um processo de avanços e transformações que possam trazer melhoras para a sociedade de maneira geral, mas preferencialmente ao conjunto da classe trabalhadora.

Não me vejo militando na estrutura conservadora dos grandes partidos, onde a subserviência à manutenção do status quo é total. Eles não querem mudar nada. Prometem e não cumprem. A população “anestesiada” os reelegem para mandatos sucessivos de obediência ao grande capital e interesses privados. Isto sem contar os inúmeros casos de corrupção e desvios de dinheiro público.

O eleitor é co-responsável por tudo isso e não pode ser paternalizado. Grande parte dos que reclamam, votam sistematicamente no político corrupto e seu respectivo grupo ou quadrilha. A falta de consciência política aliada à deficiência na formação escolar e da cidadania contribuem para a manutenção deste quadro dantesco que compromete nosso futuro, como também de nossos filhos e netos.

Não vejo nos nomes que venceram as últimas eleições nenhuma sumidade. Pelo contrário, alguns são contumazes freqüentadores de tribunais por desvios éticos e de malversação do dinheiro público. Alguns estão envolvidos em escândalos de corrupção recentes. Outros votam sistematicamente contra demandas legítimas dos trabalhadores. Estou pronto para debater com qualquer um deles, em qualquer lugar e sobre qualquer tema.

Vivemos dias difíceis, tempos de análises generalizantes, tempos de conformismos e de opiniões que pregam que não adianta enfrentar o “sistema” porque ele é forte demais e está enraizado na sociedade. Análises que dizem que não adianta abrir as “porteiras” porque o gado e as ovelhas não querem sair. Gente que afirma com uma certeza absoluta que quem se manifesta e luta é baderneiro e está lá porque recebe dinheiro de “subversivos”.

Voltando a frase do Frei Betto, alegra-me saber que já deixei algumas sementes. Na minha família e filhos, no sindicato regional da minha categoria profissional que fundei e dirigi, na federação nacional que fui presidente, no partido que ajudei a fundar em Cabo Frio e que vai formando novas lideranças e também em algumas pessoas que ajudei e encaminhei.

Espero também deixar alguma semente no campo político. Voltei até a estudar, cursando História na Universidade Estácio de Sá, e em breve, estarei exercendo o Magistério, realizando um antigo sonho. Por todas estas coisas me recuso a abandonar meus sonhos e minhas utopias a despeito da opinião e da descrença de muitos. Por todas essas coisas estarei participando do processo de luta institucional em 2016, através das eleições, atendendo a um chamado do partido, da nossa militância e até de muitas pessoas que acreditam em meus propósitos.

Vamos á luta com as “armas e ferramentas” possíveis para o bom combate, apesar de enfrentarmos uma conjuntura política desfavorável, onde o poder econômico domina, compra votos e consciências, reduzindo as possibilidades de avanços e mudanças no campo político. Mas se “navegar é preciso”, lutar por estas mudanças também é fundamental.
Já dizia Gramsci no século passado: “Pessimismo da razão, mas otimismo e prática da vontade”.

Quem está satisfeito com o quadro político deve manter os mesmos no poder, mas quem não está, tem que ter a coragem e a ousadia dos fortes para renovar, assumindo os riscos e as responsabilidades que o atual momento requer. Anular o voto e se omitir neste processo, vai ajudar a manter este modelo ou este “velho esquemão quadrilheiro” que oprime os trabalhadores e os excluídos da cidade.

“Aquele que não luta pelo futuro que quer, deve aceitar o futuro que vier.”
Autor desconhecido.


Cláudio Leitão é economista, graduando em história e membro da executiva municipal do PSOL em Cabo Frio.

8 comentários :

  1. É isso aí Leitão, a luta tem que continuar !
    Paulo Campos.

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    1. Abraço caro Paulo, que a luta também siga em frente também aí em Niterói, onde o partido está bem fortalecido !

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  2. Parabéns lindinho! Por isso que te amo e admiro tanto!
    Erika Borges

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  3. É isso leitão eu minha família e meus amigos estamos com vc e o psol

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    1. Obrigado pela força meu caro. Precisamos deste apoio !

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  4. O psol em alguns estados fez coligaçoes pragmaticas sim. leitao explique melhor ao seu leitores.

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  5. Sim. infelizmente fez, mas com o voto contrário de minha corrente política interna. Foram poucos casos, em Pernambuco, por exemplo fez uma triste coligação com o PMN. Eu mesmo já falei sobre isso várias vezes aqui no blog. Aqui também fazemos a crítica interna ao contrário de muitos. Aqui em Cabo manteremos nossa coerência política. Alianças só programáticas, como eles não querem vamos para o enfrentamento de forma independente,

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